TRANSFERÊNCIA DE PÁROCO: COMO FUNCIONA E COMO A PARÓQUIA PODE SE PREPARAR

Um momento de fé, maturidade e unidade na comunidade
12 de dezembro de 2025 por
TRANSFERÊNCIA DE PÁROCO: COMO FUNCIONA E COMO A PARÓQUIA PODE SE PREPARAR
Redação
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Entenda por que acontece, como é decidido e qual é o papel da paróquia nesse processo


Na vida paroquial, a chegada e a saída de um pároco muitas vezes despertam emoções, expectativas e, às vezes, inseguranças. Contudo, trata-se de algo normal na dinâmica da missão da Igreja. O Código de Direito Canônico (CDC) afirma que o pároco é o "pastor próprio da paróquia, responsável por ensinar, santificar e governar o povo a ele confiado" (cân. 519). E, como parte dessa missão, pode ser transferido quando a Igreja julga necessário para o bem pastoral.


A principal razão não é administrativa, mas pastoral. A Igreja busca organizar seu clero de modo que todas as comunidades sejam acompanhadas de forma eficaz. O bispo diocesano avalia as necessidades da diocese, as características de cada padre e a situação pastoral das comunidades.


É um ato de governo próprio do bispo diocesano. O cânon 1748 explica que, quando há uma “causa justa” e o bispo julga que a transferência “contribui para o bem das almas”, ele pode decidir mudar um sacerdote de ofício. Nesse processo, o bispo costuma dialogar previamente com o padre antes da publicação oficial nos meios de comunicação diocesanos.


Ainda segundo o Código de Direito Canônico, a nomeação de párocos cabe ao bispo diocesano (cân. 523). E esta decisão é tomada sempre visando o bem espiritual do povo e a missão evangelizadora. O documento Presbyterorum Ordinis, do Concílio Vaticano II, lembra que os presbíteros não estão ligados a uma comunidade como “propriedade pessoal”, mas servem a Cristo e à Igreja inteira (PO, n. 7).


O que a comunidade precisa entender


A paróquia não “perde” nem “ganha” um padre. Ela acolhe um novo pastor e envia com gratidão aquele que serviu com amor. A missão é maior que a figura de cada sacerdote. O saudoso Papa Francisco já dizia: “O pastor é um servo, não é o dono das ovelhas.” (Homilia, 07/05/2017).


Assim, a comunidade é convidada a viver esse momento com muita fé e maturidade, entendendo que o Espírito Santo conduz a Igreja.


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Como funciona o processo?


De forma geral, a transição segue estes passos:


1. O bispo anuncia oficialmente a transferência (por decreto ou comunicação pública).

2. O pároco é informado e inicia a organização de sua saída, com diálogo pessoal com o bispo.

3. A paróquia recebe orientações diocesanas para o período de transição.

4. Define-se a data da posse do novo pároco.


O Código de Direito Canônico estabelece que o pároco deve administrar com diligência os bens da paróquia (cân. 1284). Nesse sentido, quando há mudança, recomenda-se:


* Organizar documentos, livros sacramentais e arquivos pastorais.

* Atualizar relatórios administrativos.

* Regularizar pendências financeiras.

* Deixar registro claro do estado atual da paróquia.


Uma transição transparente facilita a missão do novo pároco e evita problemas administrativos e pastorais. Cabe ao pároco que está partindo deixar tudo documentado e agir com espírito de comunhão. A Presbyterorum Ordinis afirma que os padres devem viver “a fraternidade sacerdotal” (PO, n. 8).

Isso significa:


* Não alimentar mágoas ou tensões.

* Ajudar o sucessor, e não dificultar seu início.

* Promover unidade entre o povo e o novo pastor.


Da mesma forma, a comunidade deve cultivar um espírito de oração, respeito e gratidão.


A posse do novo pároco


Segundo o cânon 527 §2, o pároco assume juridicamente sua função pela posse. Por isso, a celebração deve ser preparada com zelo espiritual, e não apenas como evento social. Sugere-se:


* Divulgar a data e envolver todas as pastorais.

* Organizar a liturgia com cuidado.

* Preparar equipes de acolhida.

* Apresentar lideranças e serviços paroquiais ao novo pastor.


A posse é um ato litúrgico e pastoral, em que a comunidade e o novo pároco assumem juntos uma missão, por isso, colher bem faz toda a diferença.


O novo pároco não está “ocupando o lugar de alguém”, mas entrando para caminhar com o povo. Os primeiros meses são decisivos para que ele conheça a comunidade, entenda seus desafios e caminhe pastoralmente com ela. A comunidade é chamada a colaborar, rezar e evitar comparações injustas entre padres, lembrando as palavras do Papa Francisco: “Cada pastor tem seu jeito, seu estilo: o importante é que leve Jesus.” (Audiência Geral, 19/03/2014).


A troca de párocos é parte da missão da Igreja. Quando vivida com maturidade, transparência e espiritualidade, torna-se sempre um bonito momento de renovação pastoral, fortalecendo a comunhão, a evangelização e a vida litúrgica da paróquia. “O importante é caminhar juntos, na caridade” (cf. Ef 5,2).


Este artigo foi escrito por Douglas Palmeira, catequista, escritor e palestrante de temas ligados à Igreja.


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