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Abrir as portas da secretaria paroquial sob à luz do Concílio Vaticano II
Estamos caminhando rumo aos 60 anos do Concilio Vaticano II, momento sublime na história da Igreja, em tempos modernos. Como o Papa Emérito Bento XVI nos disse: “um novo pentecoste”.
13 outubro, 2021 por
Abrir as portas da secretaria paroquial sob à luz do Concílio Vaticano II
Micheli Ferreira
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Guiado e iluminado pelo Espírito Santo, São João XXIII, papa da época, decide “abrir” as portas e janelas da Igreja, para que a ação divina transbordasse por todo o povo católico.

Rompendo estruturas estáticas e engessadas, em busca de uma Igreja que apresentasse um Cristo vivo e próximo do povo, iniciou-se o Santo Concílio, reunindo cardeais e bispos de todo o mundo, os quais traziam suas necessidades locais para que houvesse uma renovação eclesial, que se inicia no cerne da Igreja e se difundisse por toda terra.

São João Paulo II nos ajudava a compreender que o “Concílio como a grande graça da qual a Igreja se beneficiou no século XX: nele nos é oferecida uma bússola segura para nos guiar no caminho do século que se abre” (Novo Millennio Ineunte, 2001)

Na abertura do Concílio, no dia 11 de outubro de 1962, Papa João XXII, hoje santo, nos diz que:  

Iluminada pela luz deste Concílio, a Igreja, como esperamos confiadamente, engrandecerá em riquezas espirituais e, recebendo a força de novas energias, olhará intrépida para o futuro. Na verdade, com atualizações oportunas e com a prudente coordenação da colaboração mútua, a Igreja conseguirá que os homens, as famílias e os povos voltem realmente a alma para as coisas celestiais.

Visando novos ares e um futuro promissor para a Igreja de Jesus Cristo, os padres conciliares redigiram diversos textos (constituições, decretos e declarações), para servir de embasamento e guia para todos os fiéis.

Podemos lembrar que:

Constituições Apostólicas:

  • Dei Verbum (Sobre a Revelação Divina)

  • Lumen Gentium (Sobre a Igreja).

  • Sacrosanctum Concilium (Sobre a Sagrada Liturgia da Igreja)

  • Gaudium et Spes (Sobre a Igreja no Mundo atual).

Declarações:

  • Gravissimum Educationis (Sobre a Educação Cristã),

  • Nostra Aetate (Sobre a Igreja e as Religiões não-Cristãs)

  • Dignitatis Humanae (Sobre a Liberdade Religiosa).

Decretos:

  • Ad Gentes (Sobre a Atividade Missionária da Igreja),

  • Presbyterorum Ordinis (Sobre o Ministério e a Vida dos Sacerdotes)

  • Apostolicam Actuositatem (Sobre o Apostolado dos Leigos)

  • Optatam Totius (Sobre a Formação Sacerdotal)

  • Perfectae Caritatis (Sobre a Conveniente Renovação da Vida Religiosa)

  • Christus Dominus (Sobre o Múnus Pastoral dos Bispos na Igreja),

  • Unitatis Redintegratio (Sobre o Ecumenismo)

  • Orientalium Ecclesiarum (Sobre as Igrejas Orientais Católicas) e

  • Inter Mirifica (Sobre os Meios de Comunicação Social).

Não tivemos um documento específico para a vida paroquial, porém tivemos textos que iluminaram e nos fizeram aprofundar na vida pastoral da Igreja. Hoje, sob à luz do Concílio que ainda se faz atual e aplicável, vemos que precisamos caminhar muito.

Sabemos que nossas secretarias paroquiais são uma parte importante e necessária para vida e organização pastoral. Sob à luz do Concílio podemos ver que precisamos estar com as “portas” sempre abertas, físicas, espirituais e emocionais.

O secretário paroquial é o precursor de todo atendimento pastoral. Por ele, os fiéis são acolhidos, comunicados, informados, guiados e organizados. Por muitas vezes os assuntos pastorais são resolvidos pelos próprios secretários, sem envolvimento dos párocos.

Temos que ter sempre em mente o bom acolhimento, a caridade pastoral e, guiados pelo Espírito Santo, saber orientar os fiéis que chegam até lá.

O convite do Concílio para nós é abrir as portas da Secretaria Paroquial à ação do Espírito Santo. Esse ambiente faz parte da paróquia, onde o próprio Cristo acolhe, ouve e aconselha muitos que passam por ali.

Se trata de um ambiente aberto ao acolhimento e à fraternidade! Uma secretaria paroquial deve buscar congregar os coordenadores paroquiais, os fiéis, os sacerdotes e todo povo de Deus. Livre de “picuinhas”, fofocas e segregação. É o lugar do encontro com Jesus, através da alegria que brota do Espírito Santo. 

Uma secretaria paroquial não pode ser o local de pessoas fechadas, carrancudas e sem amor pastoral. A secretaria paroquial é o lugar da Alegria do Evangelho, que “enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento” (EG, 2013). 

Quando Papa Paulo VI, hoje santo, encerrou o Concílio em 8 de dezembro de 1965 afirmou que: “Para a Igreja católica ninguém é estranho, ninguém está excluído, ninguém está longe [...]” e disse ainda que os “propósitos que o Concílio preparou e que, tão inflamados de caridade, possam verdadeiramente atuar na Igreja e no mundo aquela renovação de pensamentos, de atividade, de costumes, de força moral e de alegria e esperança [...]”.

Como nos disse o Apóstolo Paulo: "Portanto, estendam a mão e acolham uns aos outros, para a glória de Deus. Jesus fez; agora, é a vez de vocês! Sendo fiéis aos propósitos de Deus" (Rm 15,7). Assumamos esse convite com fé e vontade.

Acolhamos o convite de Jesus, na última ceia, de sermos acolhedores na lógica do amor. Na certeza de que O amando com todo nosso coração, Ele estará conosco, e o Espírito de Deus no conduzirá a sermos agentes promotores da paz e do amor (cf. Jo 14, 23-29).

Assim sejam nossas secretarias paroquias: infladas de caridade, que não afastam, que não excluem, mas que sejam lugares da renovação pastoral.

Referências:

BÍBLIA SAGRADA. Bíblia de Jerusalém.  (Ed. Revista). São Paulo: Paulus, 2002

COMPÊNDIO DO CONCÍLIO VATICANO II. Constituições, Decretos,. Declarações. Constituição Dogmática Lumen Gentium. 29. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.

CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA LUMEN GENTIUM. Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. Paulus: São Paulo, 1997. 

FRANCISCO. Evangelii Gaudium: A alegria do evangelho sobre o anuncio do Evangelho no mundo atual. São Paulo: Loyola, 2013

JOAO PAULO II. Carta apostólica novo millennio ineunte. São Paulo: Loyola, 2001.


Douglas Reis é formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Anhanguera de Taubaté, em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena e pós-graduado em Marketing e Negócios pela UNIFATEA. Coordenador de Catequese da Arquidiocese de Aparecida.

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13 outubro, 2021
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