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O reconhecimento da oferta comunitária
Entenda como a paróquia deve manter vivo o reconhecimento da oferta comunitária
6 maio, 2021 por
Micheli Ferreira
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Falar ou escrever sobre as ofertas nunca é demais e se esgota o assunto! Jamais imaginávamos que Davi pudesse ser uma criação para a nossa reflexão. Ele será a nossa inspiração para esse texto. Então, vamos lá...

Muitos personagens bíblicos são referenciais para nossas vidas, por nos deixarem exemplos de fé, coragem, humildade, obediência, paciência, etc. Mas, só um foi considerado pelo próprio Deus “O homem segundo o meu coração” (1Sm 13,14): Davi, o maior rei de Israel.

Quem foi Davi?  

Um homem perfeito, sobrenatural, isento de pecados? Não! Davi era semelhante a qualquer um de nós, porém, aprendeu que a melhor maneira de alcançar o coração de Deus é o caminho da adoração, da humildade, da sinceridade e do arrependimento. Cair em si e se arrepender e procurar o Senhor como o seu “bom pastor que nada lhe falta” [Sl 23(22)]. Seus Salmos nos inspiram essa confiança e, quanto às ofertas, não poderia ser diferente.

Deus tira da pequena e esquecida Belém, um rei diferente para governar o seu povo. Até hoje é lembrado como o maior rei de Israel e, por duas vezes, na Bíblia, é chamado de “homem segundo o coração de Deus” (1Sm 13,14; At 13,22). Por que tanta honra a um homem que, apesar de notável, teve sua vida pontuada por graves pecados?

Essa é a história e o destino de todo mortal. O mais importante não era o “seu pecado”, mas a busca da graça misericordiosa de Deus no seu incessante “miserere” (Sl 51(50). Dobra-se ao Senhor e reconhece-se pecador, fraco e indigente como um filho desobediente, mas repleto do sentido da bondade de Deus. Isso o diferenciava dos demais reis e príncipes - governos - de então.  

As ofertas nos colocam nessa pontaria, nesse caminho de reconhecimento de que somos pequenos e desprovidos de muitas forças a não ser daquela divina que nos manuseia e nos alerta e nos acolhe ao destino contrito. As ofertas de Davi nos indicam um reconhecimento. Curiosamente, a Bíblia, não fala sobre outras ofertas de Davi, apenas de sua dedicação como modelo de rei.

Davi não fora, durante a vida, um ofertante “modelo” segundo a Bíblia! Destacou-se, Davi, por um bom e justo governante. Essa é a primeira preocupação com uma possível curiosidade a respeito de sua oferta. A oferta deve nascer de um coração justo que se concretiza no ato de ofertar coisas materiais. O princípio não é o que se oferta, em si, mas a medida do coração livre como nos lembrará, Paulo, mais tarde (cf. 1Cor 16; 2Cor 9,7).

Vamos nos mover dentro do primeiro livro das Crônicas no capítulo 29 (1Cr 29) da seguinte forma: 

Capítulo 29,1-9: a oferta do povo em benefício de si e o relato do gesto generoso de Davi e os versos 10-19: a oração de agradecimento a Deus feito pelo Rei. Davi reconhece que tudo que possui é de Deus, dele provém e se converge para esse destino final. Há uma reciprocidade de dons e a virtude está no reconhecimento dessa dinâmica de oferenda.

Vejamos alguns acenos dessa oferta-modelo do Rei em benefício à construção do Templo de Jerusalém que, o mesmo, reconheceu não ser ele o edificador, mas o seu filho Salomão. A oferta humana poderá ser feita por interesse, mas a religiosa só poderá ser feita pelo pleito de graças.

Davi convoca o seu povo e os chefes para repetirem o mesmo gesto do Rei (v.1). A convocação é para a eficiência da oferta no sentido do melhor para Deus como o Rei sempre fizera. Estavam no período do pós-exílio. Esse era momento de agradecimento infinito pela libertação. O seu maior bem e herança era a fé representada pelo Templo. A sua oferta era uma tênue expressão daquilo que o Templo poderia representar para ele e o povo.

A sua proposta de oferta implicava nalguma renúncia às posses a fim de que todos tivessem o necessário para uma vida digna na celebrante liturgia. Oferta-se não a sobra, mas aquilo que é preponderantemente importante e coeso com a sua dinâmica de fé.

Davi faz uma digressão sobre a sua proposta de oferta e diz contundentemente: “Mas, além de todos os preparativos que fiz para o Templo, dei também prata e ouro que me pertencem, pois amo o Templo do meu Deus. Dei mais de cem toneladas do mais puro ouro e duzentos e quarenta toneladas de prata pura para revestir as paredes do Templo e para todos os objetos que os artesãos vão fazer” (vv. 3-5a).

Diante de sua generosidade e espontaneidade faz o apelo ao seu povo com as seguintes palavras: “... Agora, quem está disposto a dar ofertas ao Senhor Deus por vontade própria?” (5b). Conclama-se o povo a partir do seu exemplo pessoal.

O texto lembra que os chefes de família, das tribos, os comandantes, os construtores se prontificaram a fazer ofertas. Vejam a consequência de uma oferta bem pedida: “Mais de cento e setenta toneladas de ouro, dez mil barras de ouro, trezentas e quarenta toneladas de prata, seiscentas e quinze toneladas de bronze e três mil quatrocentas e vinte toneladas de ferro. Aqueles que tinham pedras preciosas deram essas pedras para o tesouro do Templo, que era administrado por Jeiel, do grupo de famílias levitas de Gérson...” (vv.7-8).

Finalmente, nessa primeira parte, a alegria do Rei bem como dos demais administradores: “O povo deu de boa vontade ofertas a Deus, o Senhor, e eles ficaram alegres porque havia sido dado tanto. O rei Davi também ficou muito feliz” (v.9).

Fica ai, para o leitor, a proposta do desafio das ofertas ao Templo (Igreja paroquial), comunidade de salvação. A oferta de Davi nos indica a necessidade de organizar as ofertas na comunidade e a forma como nós a pedimos.

Na maioria das vezes, elas não são melhores por que não sabemos pedir (cf. Tg 4,3; Mt 6,5-7)! O que estou ofertando ao Senhor? Oferto o melhor de mim ou algumas sobras que não me fazem falta? Fazemos uma programação para se orientar as ofertas? Como são feitas as ofertas na sua comunidade? O que temos doado? Pensemos nas ofertas e preguemos a fidelidade ao Senhor...

Pe. Jerônimo Gasques é Escritor e Pároco na Paróquia São José, Presidente Prudente/SP. Autor de várias obras nas seguintes áreas: Dízimo, Juventude e Acolhimento, dentre elas: “Dízimo e captação de recursos”,  “Devocionário do Terço dos Homens”, Edições Loyola.

Micheli Ferreira
6 maio, 2021
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