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Demonstre que a escolha pela partilha é sinal de fortalecer a comunidade paroquial
Demonstre que a escolha pela partilha é sinal de fortalecer os recursos necessários para a comunidade paroquial
24 junho, 2021 por
Demonstre que a escolha pela partilha é sinal de fortalecer a comunidade paroquial
Micheli Ferreira
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Recordando os 12 anos de trabalho pastoral nos meios de comunicação por meio da Revista Paróquias aprecio o leitor com o artigo sobre o tema das ofertas. Recordo-me que a primeira reflexão que fizera foi uma consideração a respeito do dízimo que, na época, viera em uma matéria com autor diferente como se fosse meu. Sanado o equivoco, que foi positivo, por sinal, passei a escrever regularmente sobre o dízimo e outros temas relacionados à pastoral.

Estou pensando propor o tema das ofertas (coletas); o que elas significam para a comunidade; uma forma de captação de recursos e, especialmente, na sua dimensão de espiritualidade litúrgica, trago ao leitor essa reflexão. Então vamos ao tema.

Coleta ou oferta

A coleta ou oferta é um tema que perpassa o Antigo Testamento e atinge de feitio pleno, a comunidade cristã do Novo Testamento. De forma singular as coletas têm a intenção de atingir duas dimensões: material (em geral relacionada às obras e manutenção do Templo) e caritativa (os pobres). No Antigo Testamento há uma relação entre oferta e sacrifício (cf. os livros do Êxodo e Levítico) como dois gestos que caminham juntos (cf. Lv 14 e 16; Ex 19; Nm 15; Ez 45).

Em geral, as ofertas trazidas perante Deus deveriam custar algo àquele que a trazia. A oferta, em si, não era o mais importante, mas a mudança que acontecia no coração das pessoas. Oferta sem mudança de coração não valia de nada como alertavam alguns profetas (cf. Is 1,10-20; Am 5,20-22). Certamente isso nos auxilia a compreender o que Jesus ensinou sobre as ofertas como uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante e generosamente suculenta (cf. Lc 6,38).

As ofertas, na compreensão do Novo Testamento, atingem de cheio o aspecto litúrgico e assim ficou paginado pela tradição da Igreja. Nesses vinte séculos, as ofertas ficaram inalteradas salvo alguns exageros em momentos diversos da história da Igreja (p. ex. Idade Média).

Na tradição da Igreja a proposta inicial é a de Jesus, mas a recomendação básica é a de Paulo à comunidade de Corinto (podemos considerar, também, a Didaque): “Agora vou tratar do dinheiro para ajudar o povo de Deus da Judéia. Façam o que eu disse às igrejas da província da Galácia. Todos os domingos cada um de vocês separe e guarde algum dinheiro, de acordo com o que cada um ganhou. Assim não haverá necessidade de recolher ofertas quando eu chegar. Depois que chegar, eu enviarei, com cartas de apresentação, aqueles que vocês escolherem para levarem a oferta até Jerusalém. Se for conveniente que eu também vá, eles farão a viagem comigo” (1Cor 16,1-4).

A coleta é um sinal de solidariedade na comunidade cristã e entre as Igrejas, em geral, como é o caso da Campanha da Fraternidade e outras. A comunhão é de fundamental importância entre aqueles que têm e para aqueles que recebem os benefícios em função do vínculo fraternal. O apóstolo Paulo tem vários textos e pensamentos sobre essa realidade fraterna (cf. 2Cor 8-9; Rm 15,26-28; Gl 2,10).

Se o “fraternal” não for a maior motivação na comunidade de nada servem as ofertas e outras realidades sacramentais e etc. Somos frutos de vários fatores e de várias motivações. Dentre as tantas vamos indicar três delas.

1. Aprender a partilhar

A partilha deve ser uma descoberta de valor na vida cristã. O cristão precisa ter paixão pela fé e acreditar como ninguém naquilo que faz.
Ninguém nasce sabendo partilhar. Aprendemos vendo e experimentando. Esse é um caminho de aprendizagem. Só oferta quem aprende a gostar de partilhar. Caso contrário dá-se aquelas moedas que sobram e é isso que vemos na maioria das vezes. Ninguém ensinou que devemos aprender a gostar de ajudar, colaborar, partilhar, doar e etc.

Essas atitudes são difíceis, pois exigem certa virtude humana. Somos mais para os vícios que para a virtude. Quem não é inteiro na fé não divide com o outro aquilo que possui. Mário Quintana dizia: “As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida”. Assim são todos os gestos de amor. Amor não se divide; se completa.

2. Oferta e Fé

A fé coloca Abel e Caim na mesma trilha com detalhes diferentes. Os dois foram ofertantes, mas Abel excedeu em generosidade ao passo que Caim se retraiu às ofertas. A oportunidade foi a mesma, mas a elação foi tão diferente que não há como comparar tal proporção.

A fé é uma luz que esclarece o gesto de ofertar. Na maioria das vezes as pessoas vão às ofertas sem um mínimo de motivação. Não sabem para que estejam fazendo isso e aquilo. Acabam doando coisas irrisórias por não ver sentido no gesto de ofertar.

A fé alinha o gesto da oferenda. Sem ela a oferta fica vazia e sem aquela liga que faz unir a massa toda como o fermento na farinha. Um pouco de fermento (de fé) leveda muita massa! O resultado? Um belo pão.

3. Motivas a comunhão

A oferta deve ser fruto da comunhão entre os membros da comunidade. Não sem razão que a Eucaristia é chamada de comum-união e não se a recebe sem esta compreensão. “Só a caridade gera a comunhão”, dizia santo Agostinho.

A motivação para a comunhão (oferta) não tem começo e nem fim. Há uma simbiose espiritual entre fiel e comunidade. A oferta não é somente de dinheiro, mas de vida como princípio e, depois, vem a questão econômica. Esta precede aquela de forma melhorada e plena.

O que unia a comunidade primitiva da Igreja era a comunhão entre os membros (cf. At 2,41-47). Essa comunhão não era, apenas, de espírito, mas de poupança, de materialidade para sustentar a sua cotidianidade tão diversa entre eles.

Quem se coloca na escola da partilha (da oferta) tem uma vida diferente dos demais. Como nos motiva Paulo: “Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração” (Cl 3,16). E Paulo continua: “Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a vocês” (Rm 12,10).

Que aprendamos a ofertar. A oferta feita com generosidade mede o tamanho de nossa fé! A oferta pode ser uma bússola onde nos orientamos. Ao menos, uma vez por mês, façamos a nossa oferta e que a generosidade seja diária. Posso até não ser um bom dizimista, mas, jamais um mau ofertante. Esse é o valor pleno da fé que acompanha as obras (cf. Tg 2,14).

Pe. Jerônimo Gasques é Escritor, Especialista em Formação para Pastoral do Dízimo e autor de várias obras nas seguintes áreas: Dízimo, Juventude e Acolhimento, dentre elas: “Dízimo e captação de recursos”, “Devocionário do Terço dos Homens”, Edições Loyola.

 

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