True

Ações do dízimo na comunidade eclesial
Proponha uma revisão do dízimo para haver uma unidade nas ações na comunidade eclesial
27 abril, 2021 por
Ações do dízimo na comunidade eclesial
Micheli Ferreira
Nenhum Comentário Ainda

Hoje se faz necessário uma revisão da experiência do dízimo bíblico aplicado à comunidade cristã católica. Diante de tantos ‘des-caminhos’ a revisão seria muito mais que bem vinda. Rever formas de contribuição e conteúdos daquilo que diz ousar ser o dízimo.

O dízimo é o balsamo que alivia a comunidade cristã!

Diante dos muitos anos de prática de dízimo, na comunidade, chega a temporada de pausa e de revisão. Este é o momento de ‘re-visitação’ do dízimo. Fazer um esforço de entrar no modo como a comunidade está participando e contribuindo.  Ter em mente o que desejamos: dízimo em forma de muito dinheiro ou de pessoas que aprenderam a fazer a experiência com Deus!

O dízimo não é aquilo que eu penso que seja. É aquilo que está na Palavra de Deus e de forma revisitada; atualizo um modo de proceder dos líderes judaicos e aplico à experiência comunitária. O dízimo no Antigo Testamento tinha três destinatários: o Templo, os pobres e os sacerdotes. Não era para ninguém ficar rico e viver o bem bom da vida! Se isso acontecer é que algo está sendo mal usado e com destino extorquido.

A esta altura todos se tornam especialistas em dízimo. Não há mais a necessidade de revisão e de retomada de conteúdos.  A gente vai se acostumando com a expressão “dízimo” e a mesma perde a sua celebridade e a originalidade se torna fútil.

Rever valores 
No tocante ao dízimo, falamos em contribuição e captação de recursos. De duas maneiras o entendemos na comunidade eclesial. Os recursos financeiros estão sendo esfarelados em várias direções. Existe aquele que é próprio do dízimo e essencial e exclusivo que é a manutenção da comunidade como um todo e, aquele outro, que se refere às instituições que alçam voos na ânsia de se captar recursos.

Aqui, reside o desafio que, infelizmente, não damos atenção e poucas vezes paramos para pensar a questão. Não estamos falando em dinheiro propriamente dito; estamos propondo “divinização ou santificação” da experiência financeira do cristão no que toca à sua contribuição. Igreja e dinheiro são assuntos sérios e que merecem zelo e muito respeito pelo dever sagrado de contribuir e, pelo divino, em receber.


O dízimo passou da mão (gazofilácio) à máquina de recebimento. Materializou-se tanto a experiência que não faz importância a forma de recebimento, desde que entre dinheiro no caixa tudo está acertado. Justamente, esse é o tipo de dízimo que nunca deveríamos desejar para uma comunidade eclesial. Não estamos falando em “capitalismo decimal”, mas de uma forma de se experimentar uma espiritualidade altamente transformada e libertadora do egoísmo humano.


O dízimo lida com a vida humana (AT) e não com mentalidade financeira e farisaica a todo custo para se manter. O dízimo não é para cultivar ideias e realizar sonhos de visionários. É comum se ouvir: “esta obra é mantida com a contribuição dos fiéis”; “vivemos da providência divina” e assim por diante..

 

Questionamentos  
No que tange à Lei, a Palavra preceitua: “Não acrescentem nada ao que eu lhes ordeno, nem retirem coisa nenhuma. Observem os mandamentos de Javé, o seu Deus, da maneira como eu lhes ordeno” (Dt 4,2). E, no que tange ao dízimo, como seria a compreensão? E o dinheiro doado às instituições religiosas (midiáticas) que não trazem nenhum benefício à comunidade? Até onde vai o limite entre o contribuir e o doar o dízimo? Não se está dando uma interpretação assiduamente deliberada ao dízimo cristão? Seria o caminho ou o costume levou as comunidades a não mais se importarem com o dízimo em si, mas com o que entra no final do mês no cofre da Igreja!?

Conheço pessoas da comunidade que divide o seu “dízimo” (trízimo) entre a comunidade, a instituição e outros. Não está na hora de se pregar uma limpeza, uma faxina do dízimo? O único espaço de contribuição legítima é a comunidade e nada mais. Assim ordena o profeta Malaquias (Ml 3). E os apelos? São os desafios dos últimos tempos. Todos querem e se sentem “revelados” e motivados para fazer uma obra na sociedade. Mas é legítimo contribuir com estes que inventam necessidades para se vangloriarem de que estão pregando o evangelho e atingindo terras distantes? É certo tirar o “pão da comunidade” e dar aos demais que nada tem em comum com a nossa comunidade? Estaria eu exagerando e, você, desejando serenar a situação?


Revisão dizimal
Em tempo de revisão sobre paróquias renovadas [Documentos da CNBB – 100] qual espaço esses lugares ocupam na comunidade eclesial? Observando o Estudo da CNBB – 8, sobre a Pastoral do Dízimo o que ele poderia propor de novo à comunidade? É uma reflexão de longas décadas onde tanta coisa mudou nesse tempo. Foram tantos os Sínodos, as Diretrizes, as Assembleias e ele está ali impávido e colosso! Construímos uma muralha protetora ao seu redor que nada modifica seu conteúdo. Ali, existem ideias regulamentadoras sobre uma ação da pastoral do dízimo brasileiro como existem aquelas ultra superadas e desatualizadas.

Para se pensar em um possível “dízimo nacional” seria necessário uma mudança estrutural da forma de ser Igreja e que não vai acontecer, jamais. O programa paróquias renovadas nem cogitou essa ideia. Aliás, pouco ou nada se falou sobre captação de recursos e, menos ainda, sobre o dízimo (cf. n.º 288). Interessante e curioso é que se propõem inúmeras atividades e sugestões sem se preocupar de onde viria o recurso para tal empreendimento (cf. cap. 6).

Enfim, São Pedro Crisólogo (406-450) comentando o evangelho da visita de Jesus à casa de Pedro (Mc 1,29-39) se expressa: “Cristo não entrou, pois, naquela casa para tomar alimento, mas para restaurar a vida. Deus não anda a procura dos bens humanos, anda a procura dos homens. Ele não deseja encontrar coisas terrenas, mas quer dar os bens celestes. Assim, Cristo não veio até nós à procura das coisas que nós possuímos, mas para nos levar consigo”.

Concluindo
E o nosso dízimo como está sendo divulgado, aplicado e administrado? Existe coerência naquilo que recebemos e distribuímos? As nossas contribuições promovem vida em plenitude ou está sendo espaço de vaidade humana? O que fazemos com o resultado mensal do dízimo? O meu dízimo representa o fruto de minha experiência de vida cristã? Como introduzir um dízimo novo na comunidade que já se encontra cansada e viciada na contribuição? Uma assembleia de avaliação não seria uma boa proposta? Um programa de formação de liderança não seria viável nesse momento? O que vamos propor, enfim...

Pe. Jerônimo Gasques é  Autor de várias obras nas seguintes áreas: Dízimo, Juventude e Acolhimento, dentre elas: “Dízimo e captação de recursos”,  “Devocionário do Terço dos Homens”, Edições Loyola.

Ações do dízimo na comunidade eclesial
Micheli Ferreira
27 abril, 2021
Compartilhar
Arquivo
Entrar deixar um comentário

Whatsapp Paróquias

Olá, bem-vindo(a) a Revista Paróquias! Escolha um dos nossos atendentes. Mensagens fora do horário marcado serão respondidas quando retornar.