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Orientações para uma liderança bem-sucedida
Observe as orientações de como um administrador consciente deve exercer uma liderança bem-sucedida

Nas organizações em geral os líderes têm condições de fazer a diferença, dependendo, é claro, da forma com que conduzem suas atividades e como interpretam o poder de ser líder.

James Hunter, autor do livro ‘O Monge e o Executivo’, define que “liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum”. Tal definição, por si só, representa bem o que se espera de um líder em qualquer ambiente, ainda mais se esse ambiente for o religioso, fértil para que as habilidades ou inabilidades dos líderes fiquem em evidência.

Nas organizações em geral, os líderes têm condições de fazer a diferença, dependendo, é claro, da forma com que conduzem suas atividades e como interpretam o poder de ser líder. Alguns, de forma equivocada, interpretam a liderança como “ter poder sobre a vida de outros”. Tal equívoco está intimamente ligado à forma com que a própria pessoa, detentora do poder da liderança, encara a vida. Ou seja: pessoas arrogantes, prepotentes, cínicas, opressoras, más, egoístas, ampliam sua forma estranha e triste de encarar a vida quando detêm o poder de liderar pessoas. Outras encaram a liderança como “oportunidade de contribuir com melhorias a todos”, agindo positivamente sobre os aspectos que atingem a vida das pessoas envolvidas na mesma missão em que o líder está engajado. Essa forma correta de encarar a liderança também está ligada ao caráter da pessoa, pois, se ela tem o bem como pilar de sua vida, naturalmente, tentará fazer boas coisas quando estiver revestida da liderança.

Infelizmente, nossa limitada humanidade, por vezes nos impede de entender com simplicidade o papel da liderança dentro da Igreja. Inclusive, alguns leigos acreditam que estão fazendo um favor aos irmãos ao assumir o comando de uma pastoral, movimento ou serviço. Talvez esses “líderes” não tenham ideia do quanto tal posicionamento equivocado prejudica a todos que estão sob seu comando e, por outro lado, não consigam enxergar as oportunidades proporcionadas pelo exercício da liderança, em especial, o desenvolvimento de competências e ampliação da capacidade de decidir.   

Se liderar é influenciar pessoas, então, um mau líder influenciará seus liderados para coisas más. Basta fazermos uma breve revisão da história da humanidade e vamos encontrar vários exemplos negativos resultantes do exercício equivocado da liderança. No campo religioso, sugiro consultas aos casos: Jim Jones e o ‘Templo de Jonestown’ e Paul Schäfer da ‘Colônia Dignidade’.

Como bons exemplos de liderança na Igreja podemos citar, com segurança, o nosso Papa Francisco e a agora Santa Teresa de Calcutá, além de outros que demonstraram, ou ainda demonstram, grande capacidade de provocar um efeito positivo sobre seus liderados.

Em termos práticos, registro aqui os 10 mandamentos da HumaRes® - Liderança Humana e  de Resultados (2014, p. 118-119), cujo livro e metodologia de liderança são de minha autoria. Estes “mandamentos” trazem conceitos plenamente aplicáveis no exercício positivo da liderança cristã. Tal aplicabilidade poderá ser observada nos comentários e exemplos registrados em cada mandamento. Vejamos:

1. Valorizarei os participantes de minha equipe de trabalho como pessoas, com suas potencialidades e fraquezas

O líder cristão precisa olhar ao outro com constante misericórdia. Entender que a mesma pessoa que erra é a mesma que pode fazer grandes coisas pela Igreja e pela missão em que está inserida. Para isso, precisa ser compreendida, corrigida de forma amorosa e incentivada em todo o tempo. São poderosos incentivadores ao cristão leigo um agradecimento sincero, uma oração, ou mesmo uma benção quando um padre estiver no comando dos trabalhos. Podemos assegurar que o mais poderoso motivador para quem trabalha na Igreja é o reconhecimento, e o menos motivador, o julgamento. 

2. Tratarei a todos com dignidade, justiça, compreensão e respeito
Este mandamento da HumaRes® completa o anterior. Por vezes o líder, tomado pelo pensamento de que todos “têm a obrigação de ajudar e trabalhar no projeto pastoral sem reclamar”, acaba por exagerar em suas cobranças de compromisso e, ao invés de motivar, ofende os que estão dispostos a ajudar. É preciso partir do princípio básico de que as pessoas querem ajudar, mas não sabem como e nem estão preparadas para isso, por isso, o respeito à condição do outro é básico no trabalho pastoral. Não se trata de manter o outro na ignorância, mas sim acolher, ensinar, apoiar e aplaudir as suas pequenas vitórias. Tal atitude motivará a outros cristãos, desejosos em trabalhar nas pastorais e movimentos, a ingressarem com ardor e confiança na missão evangelizadora da Igreja.

 

3. Serei um líder que vale a pena ser seguido
Existem várias formas de ser um líder admirado pelos seus liderados, e isso dependerá do contexto que envolve o líder e seus liderados e, principalmente, pelos valores que os movem. No nosso caso, são os valores cristãos, portanto, sabemos bem que os dois principais pilares que devem nortear os nossos comportamentos dentro e fora da Igreja são: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Assim, a nossa presença na Igreja e o genuíno compromisso com sua missão, evidenciará ao outro que estamos nos esforçando para realizar o nosso primeiro grande desafio: amar a Deus sobre todas as coisas. É lógico que “mostrar trabalho” é algo limitado, mesmo porque o Senhor Deus perscruta o nosso íntimo e sabe mais do que nós mesmos se estamos amando-o de verdade ou se estamos sendo hipócritas. 


No entanto, quando se trata de liderança, não basta ao líder ser cristão, ele tem de “parecer cristão”, mesmo porque o exemplo é muito poderoso. Estando ciente disso, aquele que deseja ser líder de fato deve demonstrar seu compromisso com o Senhor em todo tempo. Quanto ao segundo desafio no seguimento de Cristo: “amar ao próximo como a ti mesmo”, me atenho ao exemplo de Santa Teresa de Calcutá, que deu grande exemplo ao mundo de como amar ao próximo, sendo que seu exemplo motivou milhares de pessoas do mundo a agir. Algumas jovens se tornaram irmãs de caridade e ingressaram na missão por causa do exemplo de Madre Teresa, outras, doaram bens e dinheiro ao projeto liderado por esta santa porque se sensibilizaram com ela e com a forma grandiosa que expressou o amor ao próximo. Mas, não é somente cuidando dos necessitados que expressamos o amor ao próximo, é acolhendo com um sorriso um irmão de comunidade, é não julgando o seu pecado enquanto busca o perdão de Deus por meio de nós, é acolher aquele que quer ajudar e não sabe por onde começar.


Portanto, é justo que um líder cristão verdadeiro e ciente de sua missão desperte as pessoas a segui-lo, pois, na verdade, ele estará levando todos ao encontro do líder dos líderes, o Senhor Jesus Cristo.   

4.  Reconhecerei o bom trabalho individual com alegria, sem diminuir o ânimo de quem não atingiu as metas e objetivo


Por falta de conhecimento das técnicas de liderança, podemos cair no erro de ficar enaltecendo um ou outro de nossa equipe por ter ajudado em alguma missão, esquecendo-se da contribuição dos demais. Alguns líderes, tanto no mundo das organizações como fora delas, não apenas homenageiam de forma exagerada os que geram resultados maiores que outros, como chegam a humilhar, ignorar ou mesmo fazer comentários irônicos direcionados àqueles que, em tese, tenham tido resultados inferiores aos demais.


Ora, na Igreja qualquer contribuição é bem-vinda. A missão é grande demais para desprezar o pouco. Se o cristão faz pouco porque ainda não entendeu sua missão ou não pode realizar mais: amém. Os que fazem pouco devem ser acolhidos e encorajados a  continuar na missão, pois o pouco deles é muito para a Igreja que sofre. Além do que, aquele que faz pouco hoje pode fazer mais amanhã e, aquele que faz muito, certamente o faz porque pode fazê-lo e deve estar em paz com sua consciência. Aquele que fez mais que os outros para se destacar estará totalmente equivocado, mas sua produtividade, doação, ou seja o que for, será sempre bem-vindo, pois a Igreja precisa. E se faz muito porque pode, gosta e acredita que esta é sua missão: amém! Ao final, sabemos bem, é Deus quem sabe tudo, e é o melhor e mais perfeito juiz que existe no universo.   

 

5. Afastarei da equipe e punirei os que quiserem prejudicar de forma deliberada, intencional e maliciosa os integrantes da equipe ou os resultados que se buscam conjuntamente

Por mais amor que tenhamos ao próximo, não podemos deixar que os que infiltram em nosso meio para, deliberadamente, prejudicar a nossa missão, o façam sem nenhuma restrição, mesmo porque, podem estar servindo ao inimigo. É óbvio que a Igreja tem a sua pedagogia para lidar com isso, cuja pedagogia funciona muito bem. Primeiro a correção amorosa, depois a correção mais firme e, somente depois de vencidas as etapas dos aconselhamentos e correções é que chega a hora da dura exclusão do grupo daquele que se nega a ofertar o mínimo de respeito às pessoas ou as coisas de Deus.


Portanto, sendo preciso, devemos sim afastar com firmeza e decisão do grupo àquele que parece mais um servidor do inimigo de Deus do que do próprio Deus. Não sejamos tolos quanto a isso, conhecemos bem o quanto o inimigo é astuto. Portanto, é obrigação do líder cristão observar se há alguém nessa situação e agir dentro destas três etapas: aconselhar, corrigir e, por último, afastar aquele que tem como objetivo único prejudicar o trabalho feito com tanto carinho por todos.

6. Serei construtor de uma equipe vencedora e unida, capaz de enfrentar e vencer grandes desafios


A união da equipe é fruto de um processo, que pode demorar certo tempo para se estabelecer, é permeada tanto por ações pontuais e individuais como ações em grupo. De forma geral, a construção de um forte espírito de equipe envolve um pouco do que está sendo tratado neste breve artigo, mas, para facilitar, podemos indicar as seguintes ações:

  • Conhecer cada integrante da equipe e descobrir no que ele pode ajudar com mais facilidade;

  • Valorizar a cada um pelas suas vitórias, mesmo que pequenas;

  • Ser solidário com aquele que passar por algum constrangimento ou derrota enquanto tentava ajudar a equipe;

  • Em reuniões, e estando em grupo, evite dar valor excessivo a um e a outro e preze pelo entendimento entre as pessoas e valorize o trabalho em equipe;

  • Esteja sempre presente, dê ideias, aja junto com todos, dê exemplo, mas tome as decisões que cabem a você com justiça e ponderação;

  • Inclusive, compartilhe com todos ou com alguns em particular, suas dificuldades para tomar algumas decisões e peça ajuda para decidir com equilíbrio;

  • Mantenha a todos informados sobre tudo quem impacta a equipe. Alinhe as informações e ações constantemente.

 

7.  Manterei todos focados nos resultados propostos, pois sem resultados não haverá equipe, e sem equipe, não haverá líder


A esmagadora maioria das organizações humanas possuem seus objetivos. Nada impede de que as comunidades cristãs elaborem seus grandes objetivos e divida seus planos em forma de metas com ações e prazos específicos para execução. Apenas para exemplificar, imaginemos que um padre que acaba de assumir uma paróquia, queira melhorar o nível de doações à Igreja para ter segurança nos pagamentos das contas recorrentes da paróquia, bem como, realizar melhorias na estrutura da Igreja local, melhorando as atividades de evangelização na comunidade.


A situação hipotética que encontra é a seguinte: pequena paróquia com cerca de cinco mil habitantes; participação de cerca de 350 pessoas nas missas nos finais de semana; arrecadação mensal de cerca de quinze mil reais entre dízimo, coleta e doações espontâneas. Objetivos: ampliar o número de participantes nas missas e ampliar as doações mensais para R$ 30.000,00. Considerando a hipótese de que 50% dos moradores sejam evangélicos ou participem de outras denominações religiosas, ainda assim, haveria um público de pelo menos 2.500 pessoas a ser trabalhado.


Meta 1: ampliar para 700 o número de participantes nas missas do fim de semana após seis meses de trabalho. Ações: realizar visitas de evangelizadores às casas dos moradores; realizar missas nas residências semanalmente; respeitando fielmente a Doutrina da Igreja e os ritos, realizar missas festivas e acolhedoras, inclusive, com implantação da Pastoral da Acolhida; aderir à benção de pães e feitura de bolo em homenagem ao santo de devoção; inclusão de momentos de Adoração ao Santíssimo; realização de eventos carismáticos em sintonia com as orientações do Bispo, entre outras ações.


Meta 2: Arrecadar R$ 30.000,00 mensais para manutenção da paróquia e ampliação da estrutura. Ações: realizar campanha de ampliação do número de dizimistas destacando o assunto em uma missa por mês; preparar folder de conscientização sobre a importância do dízimo para a Igreja e distribuir em todas as casas das famílias católicas; investir na transparência do processo, envolvendo pessoas da comunidade no conselho pastoral para que estejam a par das arrecadações e do correto uso dos valores arrecadados, entre outras ações.


A atuação do padre, aqui como o líder principal do projeto, será de suma importância para que todas as atividades ocorram dentro dos princípios cristãos e moldados pela fé católica apostólica romana. É claro que estas são apenas ideias, mas o certo, contudo, é que grandes objetivos podem ser atingidos em nossas paróquias desde que haja um correto planejamento, implantação e execução das metas que gerem, ao final, maior evangelização do povo de Deus levando todos a Cristo, motivo único da existência da Igreja na terra. 

 

8. Meu planejamento, organização, qualidade e resultados serão visíveis a todos, pois serei um exemplo a ser seguido

 
Toda a Metodologia HumaRes® - Liderança Humana e de Resultados foi construída dentro de conceitos científicos e práticos e, por isso, cada ação está intimamente ligada a outra. Este mandamento não é diferente, pois reforça os anteriores. Sendo assim, preparar um bom e coerente planejamento e realizar as atividades com organização, seguramente gerarão ótimos resultados para as organizações cristãs. É importante citar que há várias definições para qualidade. Gosto muito de pensar a qualidade como sendo “o melhor possível”, assim, deixamos de buscar o impossível e focamos naquilo que podemos fazer de melhor, considerando as condições favoráveis e as imperfeições que nos rodeiam.


Um exemplo interessante seria o de montar um andor para carregar a imagem de Nossa Senhora numa procissão. Podemos nos apoiar em nossa limitação financeira e não colocar flor alguma no andor ou, então, podemos ser ousados e bater de porta em porta em busca de flores a serem doadas pelos moradores locais e enfeitarmos, com muito capricho, o andor com essas flores. Isso é qualidade. É certo que, se o líder não motivar a todos a se moverem rumo ao planejamento, organização e qualidade, tal condição favorável não irá acontecer.

 

9.  Minha equipe trabalhará forte, vencerá e comemorará resultados como um time!


Tal como citado no “mandamento 6”, o líder de uma pastoral ou de uma comunidade, precisa envidar esforços para fortalecer os laços entre os integrantes da equipe, e são muitos os detalhes para que isso aconteça. As bases que facilitam o surgimento de uma equipe de sucesso, seja em que situação for, são: conscientização do papel de cada um e de todos conjuntamente no projeto em que estão envolvidos, respeito, incentivo à participação, diálogo constante, informações claras e abertas, alinhamento de objetivos, correções individuais com amor e firmeza, valorização do pouco feito por cada um como se fosse muito, aproveitamento dos dons de cada um, valorização da equipe em nível superior à valorização individual e comemoração dos bons resultados de forma alegre e festiva, entre outras ações que poderão ajudar no fortalecimento do espírito de equipe.

 

10.  Minha equipe trabalhará forte, enfrentará desafios e derrotas como um time!


O mesmo respeito, reconhecimento e alegria que se fazem presentes nas vitórias, precisam ser convertidos em ânimo e compreensão quando as derrotas acontecerem. O líder deve se posicionar diante de todos assumindo suas responsabilidades, mas, principalmente, mostrando a todos que nem sempre acertamos, mesmo quando as ações e os propósitos são positivos. Deve animar a todos a se manterem em pé e prontos para iniciar um novo projeto, usando as derrotas como fontes importantes de aprendizado. O importante é respeitar o trabalho de cada um, agradecer a todos e manter a equipe unida para novos desafios, sempre com espírito alegre e disposto.


É certo que Jesus Cristo espera dos líderes espalhados no mundo inteiro, e que Nele professam a fé, que façam, acima de tudo, o bem. E jamais, nunca mesmo, façam o mal aos que estejam sob sua orientação, pois isso é totalmente contrário à essência de ser cristão. Nesse sentido, fica claro que todo líder cristão, seja ele leigo ou consagrado, deve exercer sua liderança com entusiasmo, fé, justiça e misericórdia para com todos, pois Jesus Cristo, o nosso maior líder, assim o foi, o é, e sempre será; sendo incoerente, portanto, agirmos de forma diferente.


Encerro este breve artigo com a frase de Carl Gustav Jung, criador da Psicologia Analítica, que não fez parte da Igreja, mas deixou um pensamento que reflete bem como um cristão deve agir em qualquer ambiente: “conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.

Adolfo Pereira é Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas, autor do livro “Liderança Humana e de Resultados e da Metodologia HumaRes® - Liderança Humana e de Resultados”. 

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