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Implante uma gestão e liderança com valores
Permita que a gestão em sua paróquia seja conduzida por valores essenciais de compromisso e fé
9 abril, 2021 por
Implante uma gestão e liderança com valores
Micheli Ferreira
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Entendemos por gestão a capacidade de coordenar processos, atividades, projetos e liderar pessoas em vista de um objetivo específico de acordo com a missão de uma instituição ou grupo.

A Igreja tem também o seu lado institucional e, por isso, necessita de pessoas que, além da disponibilidade e boa vontade, tenham competência para assumir responsabilidades e prestar serviços. A competência supõe, entre outras características, conhecer mais sobre a arte de se comunicar e viver a espiritualidade específica da fé cristã como fundamento das ações realizadas.

Toda ação em grupo supõe uma liderança, isto é, a capacidade e a habilidade para orientar as pessoas, animá-las diante do compromisso assumido, acompanhá-las no desempenho de seu trabalho, sua missão pastoral, valorizando seus talentos, despertando novas capacidades, sendo uma presença eficaz que sabe combinar de maneira única e original a proximidade e o distanciamento, a autoridade e o serviço.

Uma liderança supõe ainda saber gerenciar as atividades e ações necessárias de acordo com os objetivos reconhecidos e assumidos. E isso requer conhecimentos técnicos também como saber planejar, elaborar, acompanhar e avaliar projetos, definir sistemáticas, acompanhar com competência.

No contexto da Igreja a gestão eclesial supõe competência para liderar espiritual e pastoralmente, gerenciar a instituição local, saber coordenar processos e projetos de evangelização em vista da unidade de todos procurando antes e, acima de tudo, fazer da paróquia uma comunidade de fé, de amor, de alegria.

Há critérios que podem ajudar e orientar esse trabalho, mas nada substitui a adesão livre e consciente à pessoa e a missão de Cristo, razão e fundamento de toda comunidade cristã. Isso também supõe desenvolver atitudes como a dele, uma pedagogia que vá conduzindo as pessoas a crescerem no seu conhecimento e na sua graça tornando-se sempre mais discípulos missionários. Isso requer muito trabalho. Não se trata só de fazer projetos, trabalhos, mas de saber como fazer. O Evangelho – a pessoa de Jesus – é a nossa referência, nosso fundamento, nossa liderança. Ele, o Mestre. Ficamos surpresos em ver que tudo o que hoje o mundo afirma como conquistas e descobertas sérias e fundamentadas na natureza do ser humano para poderem ser pessoas “bem sucedidas” Jesus já tinha ensinado e manifestado com sua vida, sua missão. Ele “antecipou” tudo o que ainda temos que descobrir com nossos esforços.

Entre os vários fatores podemos distinguir em Jesus aquilo que hoje se tem como referência para a qualidade da gestão, seguindo, por exemplo, as orientações de Peter Drucker, especialista em gestão de qualidade. Seria interessante ver como o Evangelho contém, em outra linguagem estas e outras orientações a respeito da atividade humana em grupo a serviço de um objetivo.

10 atividades que o gestor eclesial deve investir:

          1. Capacitar pessoas para atuar em conjunto;

          2. Integrar a cultura local;

          3. Comprometer-se com metas comuns;

          4. Criar e utilizar indicadores de desempenho;

          5. Desenvolver valores compartilhados;

          6. Desenvolver e organizar o conhecimento;

          7. Ancorar-se na comunicação e na responsabilidade;

          8. Buscar resultados múltiplos;

 

          9. Ter uma política de mudança: abandonar, aperfeiçoar, aprender com as conquistas;

          

          10. Inovar com continuidade.

 

 

Tudo isso supõe ainda reconhecer sempre que o objetivo de uma paróquia é espiritual, pastoral com tudo o que isso inclui e supõe como: saber que nossa missão está em função do bem das pessoas e da sociedade; que toda nossa ação é um exercício de fraternidade, em vista da comunhão entre as pessoas e Deus; nossos valores são os princípios que decorrem do Evangelho e não são meras atividades sociais humanas e em vista de objetivos pessoais ou grupais, mas se elevam à missão do próprio Cristo que prossegue na Igreja; o espírito que deve, pois, animar é da colaboração mútua, da ajuda recíproca, da superação de tudo pelo amor. Fundamental e insubstituível é reconhecer o Espírito Santo como o protagonista da ação da Igreja. Isso requer conversão permanente, recomeçar sempre, abrir-se continuamente para acolher sua presença, sua luz, sua sabedoria, seus dons.

         
Entre os empecilhos mais comuns a uma ação pastoral podemos destacar: a superficialidade na experiência de fé e de Igreja, o amadorismo em realizar atividades assumidas sem competência; as relações desumanizadas pelo orgulho, inveja, espírito competitivo, individualista, egocêntrico; falta de visão de Igreja e sociedade; manipulação de informações, de resultados, domínio e concentração de poder; imaturidade humana (mental, social, afetiva, emocional) e espiritual; resistências à aceitação do que o Espírito inspira a Igreja hoje; reducionismo da visão pastoral a uma mera sequencia de algumas atividades e tarefas executadas de maneira convencional e sistemática; falta de capacidade para investimento em pessoas, em recursos materiais e financeiros; espírito de competição e de descontinuidade; posturas fechadas e refratárias ao verdadeiro bem de todos em vista da sua salvação.

         
A gestão eclesial deve ser sempre à luz da fé. É preciso estar com o coração no Evangelho e os olhos para a realidade e com isso ser um sinal profético, um novo modelo de gestão frente a tanta perversidade na sociedade e no mercado de consumo que não são modelo para serem copiados em nossos ambientes.

         

Pe. José Alem é Pedagogo, professor de comunicação, filosofia, especialista em comunicação, Logoterapia, espiritualidade, sacerdote, conferencista. Filósofo clínico, Educador e Comunicador.

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Micheli Ferreira
9 abril, 2021
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