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Como poderemos não julgar?
“Não julgueis os outros, e Deus não vos julgará; não condeneis, e Deus não vos condenará; perdoai, e Deus vos perdoará”
6 julho, 2021 por
Como poderemos não julgar?
Micheli Ferreira
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A lição de Jesus é bem clara nesse sentido: “Não julgueis os outros, e Deus não vos julgará” (Mt 7, 1) e essa não é a única vez que a lição é ensinada no Evangelho: “Não julgueis os outros, e Deus não vos julgará; não condeneis, e Deus não vos condenará; perdoai, e Deus vos perdoará” (Lc 6, 37). Por vezes, na busca da santidade, a vaidade nos leva a pensar que somos um pouco melhor que outro, que o pecador. Então, não só julgamos, mas condenamos. É preciso cautela na interferência da conduta do irmão, sem deixar de lado a missão evangelizadora e o desejo de salvar as almas, lembremo-nos “a mesma medida que usardes para medir os outros será aplicada também a vós” (Mt 7, 2).

Falar em sinal de misericórdia nos relembra a ação de Jesus junto aos que condenaram a mulher adúltera (Jo 8, 1-11). Notem que a manifestação acontece após insistência, isso porque os que ali estavam não queriam ser orientados, desejavam tentar Jesus para incriminá-lo. De fato, a lei mandava que a mulher fosse apedrejada. E a lição não vai contra a lei, mas sim converte uma questão legal em um questionamento moral: se a lei manda que ela seja condenada, quem poderá fazê-lo, colocando-se superior a ela? Livrar-se do hábito do julgamento exige sabedoria e maturidade, por isso, aqueles que estavam condenando deixaram o lugar “pelos mais velhos até os últimos” (Jo 8, 9). Relembro a missão evangelizadora, como fez Jesus ao dizer a mulher que “não peques mais” (Jo 8, 11).

O Evangelho de São Mateus traz especialmente as recomendações de Jesus sobre a conduta apropriada aos seus discípulos. Devemos viver a caridade, a fraternidade e a prudência do julgamento. Ao orientar sobre o julgamento (Mt 7, 1-5) somos novamente lembrados de que, em condição de pecadores, não devemos condenar o irmão. Se estivermos libertos da trava em nossos olhos, poderemos enxergar melhor e, só então, buscar tirar o cisco do olho do irmão. Deus conhece o que está nos nossos corações e os mesmos critérios com que julgamos é que seremos julgados.

Entre a orientação do irmão em pecado e a vaidade que leva ao julgamento há uma linha muito difícil de percebermos em nós mesmos. Ao invés de condenar com: “isso está errado”, sejamos prudentes ao dizer: “eu não faria dessa forma”, prosseguindo com aquilo que aprendemos do Cristo e desejamos anunciar. Uma sugestão simples, mas escolher bem as palavras é um passo importante. Com isso, deixamos o lugar de superior e nos colocamos como igual aquele que errou, também passíveis de erro. Por sua vez, a lição que transmitimos não vêm de nós, mas daquele não nunca errou e, mesmo assim, não condena.


O julgamento e a condenação nos afastam do caminho de santidade que fazemos parecer arbitrário e intolerante. Não é que as virtudes do cristão devem ser abrandadas, mas quão pouco valem o juízo dos homens! Sejamos misericordiosos e caridosos, acolhendo e orientando o irmão. Se Aquele que não tinha pecado não condenou, como poderemos nós? São Josemaría Escrivá nos ensina que “Fazer crítica, destruir, não é difícil: o último aprendiz de pedreiro sabe cravar a sua ferramenta na pedra nobre e bela de uma catedral. Construir: esse é o trabalho que requer mestres”. Saibamos construir uma ponte entre o pecado e o caminho da salvação. Reforço: entre orientar e condenar há uma linha tênue que depende de quão vaidosos nós somos.

Nas palavras do Papa Francisco “é muito feio julgar: deixemos o julgamento só a Deus, só a ele!”. A nós compete “o amor, a compreensão, rezar pelos outros quando vemos coisas que não são boas” e “também falar com eles” para os admoestar se algo parece não estar no caminho certo. De qualquer forma “nunca julgar, nunca”, porque “se julgarmos será hipocrisia”. Não sejamos ingênuos de considerar a misericórdia como simples ou fácil, na verdade, é bem difícil libertar-se da posição de julgador. Também disse o Pontífice que “julgar e condenar, quase como se todos fôssemos ‘juízes’, esquecendo-nos sempre do perdão, é um hábito ao qual já não prestamos atenção”.

Que possamos permitir a presença dos dons do Espírito Santo em nós, para que repletos de sabedoria e piedade, não sejamos levados ao julgamento e a condenação, ainda que muitas faltas sejam cometidas pelo outro. Coloquemos verdadeiramente nosso coração nessas palavras: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Que assim seja!

REFERÊNCIAS


BÍBLIA DE APARECIDA. Editora Santuário. Edição online.

ESCRIVÁ DE BALAGUER, Josemaría. Caminho – 9ª ed. – São Paulo: Quadrante. 1999.

FRANCISCO. Meditações matutinas na Santa Missa celebrada na Capela da Casa Santa Marta: Diante do espelho. Vaticano, 20 jun. 2016.

FRANCISCO. Meditações matutinas na Santa Missa celebrada na Capela da Casa Santa Marta: Quem é generoso não julga. Vaticano, 18 mar. 2019.

Por Luís Gustavo Conde é Catequista atuante na evangelização de jovens e adultos; palestrante focado na doutrina cristã; advogado, tecnólogo e professor. Dúvidas e sugestões, fale comigo nas redes sociais: @luisguconde (Facebook, Twitter e Instagram).

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