True

Voluntariado na Igreja: cuidados importantes
Um dos maiores desafios dos nossos amados Gestores Eclesiais é lidar com o Voluntariado na Igreja
16 novembro, 2021 por
Voluntariado na Igreja: cuidados importantes
Micheli Ferreira
Nenhum Comentário Ainda

No passado a Igreja Católica Apostólica Romana era encarada pelos governantes e pela sociedade, em vários aspectos, apenas como de fato Ela é: uma obra de Deus. Inclusive, as questões documentais da instituição não eram consideradas relevantes.

Nesse quesito a atenção se voltava aos títulos de transferência de propriedade, haja vista que muitos fiéis com boas condições econômicas orgulhavam (e ainda orgulham) suas famílias quando doavam propriedades à Igreja para que Ela pudesse construir seus templos, escolas e hospitais e, assim, continuar fazendo o que São Bento tão bem declarou: Ora et Labora (Ora e Trabalha).

Uma atenção especial que a Igreja sempre teve relacionada a documentos, são os registros de batizados, casamentos e demais atividades que têm importância na vida dos fiéis, até mesmo por questões legais. Bem como, as atas relacionadas às atividades da Igreja como reuniões, encontros e decisões importantes que impactam as atividades das Paróquias.

Demais documentos relacionados às atividades, digamos, como uma organização institucional, se limitavam às exigências específicas da Lei, cujas exigências eram pouquíssimas no passado. Já na atualidade, este cenário mudou completamente. Cada Igreja é considerada, praticamente, como uma unidade empresarial, a qual necessita ter toda a sua documentação em ordem, recolher impostos, conseguir alvarás, registrar e gerir colaboradores tal como o faz qualquer empresa. O Padre hoje não é apenas um Líder Espiritual, é um Gestor, necessitando ter conhecimentos em áreas como: Administração, Contabilidade, Direito e Informática.


Como muitos dizem: “O Brasil não é para amadores”, então, esta frase popular no mundo dos negócios, do trabalho e do ramo público, tornou-se válida também para a Igreja. Tal frase é inspirada nas mais diversas situações, em especial, por termos nos tornado um país burocrático e muito influenciado pela aplicação e interpretação das legislações. No Brasil há cerca de um(a) Advogado(a) para cerca de 190 habitantes, todos necessitados de processos em suas mesas para exercitarem sua profissão. E como optamos pelo que está escrito na Lei e não pelo que seria aceito por todos como sendo o que é certo, então, as discussões jurídicas são intermináveis, sendo que, tal incerteza é um ponto crítico em nosso desenvolvimento, fazendo parte do que chamam de: “Risco Brasil”.

Nesse sentido, um dos maiores desafios dos nossos amados Gestores Eclesiais é lidar com o Voluntariado na Igreja. Não vamos exagerar e fazer contrato para tudo e para todos, mas, há certas situações que demandam atenção. Destaco algumas:

  • A pessoa é funcionária registrada na Igreja e, também, Voluntária. Se o Padre não perceber o perigo que esta relação gera, pode ter graves problemas. Haja vista que, quando o horário de trabalho do Colaborador termina, ele deveria ir embora e somente voltar à Igreja para suas participações nas Missas e demais atividades, sem nenhuma atribuição diferenciada. Por quê? Porque aos olhos de alguns juízes, ele continua sendo Funcionário da Igreja quando está realizando suas atividades, portanto, o “relógio que marca as horas-extras”, para tais juízes, continuaria rodando enquanto ele estivesse dentro do ambiente da Igreja fazendo alguma atividade laboral. Sabemos bem que, o que acontece de fato, é que esses são os mais exigidos, porque conhecem como tudo funciona, costumam ser pessoas disponíveis e, como a Igreja tem grandes necessidades, os Gestores acabam aceitando tanta disponibilidade e, inocentemente, acabam construindo provas contra a Igreja, quando uma dessas pessoas resolvem se revoltar contra o Padre, contra a Igreja, contra a Diocese, e levam tais provas de que trabalhavam horas e horas, dias e dias na Igreja, sem receber. Quer um conselho? Reduza ou elimine toda a atividade voluntária dos Funcionários da Igreja. Evite ao máximo lhes incomodar fora do horário de trabalho. Ao menos que você conheça muito bem a pessoa, mas, ainda assim, reflita se não está colocando a Igreja em risco sem necessidade. Vi um caso onde, os recebimentos de algumas vendas feitas em festividades da Paróquia, eram feitos no nome de um Funcionário que tinha cadastro para receber vendas em sua máquina de cartão de crédito. Que Deus nos proteja, mas esta é uma situação de alto risco para a Paróquia que deveria ter sido evitada. Acredito que muitos Gestores Eclesiais agem de forma inocente, pois não imaginam o que um ex-Colaborador, bem informado, que se magoa e revolta com a Igreja, pode fazer. O mal aparece nessas situações, infelizmente.

  • A pessoa aceita “morar na Igreja”. Tem gente que quer fazer tudo, nunca diz não e está disposta até mesmo a “morar na Igreja” se preciso for. Algumas vezes este termo é literal, pois a pessoa aceita morar em algum imóvel dentro do espaço da Igreja para fazer vigia, ou mesmo facilitar suas contribuições. São em situações como essas que moram o perigo. Alguma pessoa, depois de mudar o seu status de: “amiga da Igreja para inimiga da Igreja”, se lembrará de cada detalhe, de cada sacrifício pessoal, de cada minuto dedicado à Igreja e, com toda certeza, irá pedir vínculo empregatício e outros direitos que não teria se fosse considerado o que é justo e bom, mas que, no Brasil, ela será ouvida em algum Fórum e o problema estará estabelecido. Dicas: Faça contrato de aluguel, mesmo que sem valor, para moradores no ambiente da Igreja. E também, faça um contrato de trabalho voluntário, onde inclua o direito à moradia, deixando claro os direitos e deveres da pessoa. Se não é moradora da Igreja, mas muito disponível, tente convencer outras pessoas a assumirem compromissos e reduza a participação dessa pessoa tão disponível a um nível normal de dedicação. A incentive, a respeite, a motive, a agradeça, mas, não exagere quanto à realização por parte dela das atividades voluntárias na Igreja. 

  • Voluntários de forma geral: Todos que fazem trabalhos voluntários na Igreja, seja em festividades, seja nas atividades corriqueiras da Igreja, não devem jamais ser sobrecarregados, mesmo que queiram. Não se arrisque com ninguém, pois as pessoas mudam. Se não mudassem, nenhum Católico fervoroso se tornaria Evangélico, ou ao contrário, e isso acontece com certa frequência. Sendo possível, crie um contrato simplificado com os voluntários. Ou, pelo menos, uma declaração para eles assinarem dando ciência de sua livre escolha em fazer o que se dispuseram a fazer em prol das obras da Igreja. Apenas por garantia. Mas, isso não é tão necessário, tendo em vista que a cultura de envolvimento dos leigos nas atividades da Igreja é de amplo conhecimento, então, talvez isso seja excesso de preciosismo. Mas, fica a dica para ser discutida em Encontros Diocesanos com o apoio dos Advogados que amam e apoiam a Igreja. O meu olhar aqui, é de Administrador.

Estes apontamentos não são para lhe preocupar, mas, ao contrário, ajudar-lhe a prestar atenção aos detalhes, já que sua missão principal é espiritual, contudo, para bem realizá-la, precisa se dedicar bem aos aspectos humanos em torno da vida da Igreja.

Confie que, quanto mais aprendemos, mais fortes ficamos, e melhor é realizada a missão de levar a Palavra e o Corpo e Sangue de Jesus Cristo a todos os povos.

Mantendo acesa a fé nas pessoas façamos tudo com cuidado e justiça para que todos possam continuar se dedicando à Comunidade com alegria e entusiasmo, algo próprio dos Cristãos.

Desejo a você e a todos que estão sob seus cuidados, muita saúde, alegrias e conquistas, com esperança e trabalho, evoluindo sempre.

Um grande abraço. Fique com Deus.


Adolfo Plínio Pereira, Administrador, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas, Mestre em Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de Vida, autor dos livros: Liderança Humana e de Resultados (2014) e Uma Liderança e Valor (2017), criador da Metodologia HumaRes® - Liderança Humana e de Resultados, possui curso de extensão em Coaching pela Universidad de Cantabria, Espanha e é Professional Self Coach pelo IBC – Instituto Brasileiro de Coaching e IAC – International Association of Coaching. E-mail: prof.adolfo.pereira@gmail.com

Voluntariado na Igreja: cuidados importantes
Micheli Ferreira
16 novembro, 2021
Compartilhar
Arquivo
Entrar deixar um comentário

Whatsapp Paróquias

Olá, bem-vindo(a) a Revista Paróquias! Escolha um dos nossos atendentes. Mensagens fora do horário marcado serão respondidas quando retornar.