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Tenha na paróquia o espaço sagrado para vivenciar a renovação da vida comunitária
É preciso incrementar a paróquia para que seja sacramento da Igreja próxima, localizável, visível, presente, reconhecível na vida das pessoas
22 junho, 2021 por
Tenha na paróquia o espaço sagrado para vivenciar a renovação da vida comunitária
Micheli Ferreira
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O Concílio do Vaticano II foi definido como o “grande Pentecostes do século XX”. A intenção de João XXIII foi “apresentar aos homens do nosso tempo, íntegra e pura, a verdade de Deus, de tal maneira que eles possam compreender e a ela espontaneamente assentir” (cf. Mensagem à Humanidade, 20/10/1962).

Assim sendo, o Concílio foi para Igreja um divisor de águas em relação à sua dinâmica pastoral. Os 16 documentos conciliares, constituições, decretos e declarações, vieram fundamentar e dinamizar a ação evangelizadora da Igreja. Contudo, não temos nenhum documento sobre a instituição paróquia. Nenhum dos documentos conciliares falou sobre a instituição paróquia, mas todos tiveram profundas repercussões na vida e constituição da mesma.

A Constituição sobre a Sagrada Liturgia foi o primeiro documento do Concílio do Vaticano §II e muito contribuiu para dar credibilidade à imagem da paróquia quando afirmou: “a paróquia é uma comunidade de fiéis onde está presente a Igreja de Cristo, o povo de Deus, o mistério da ceia do Senhor” (SC 42).

Paróquia: a comunidade dos fiéis

O Código de Direito Canônico confirmou a paróquia como uma comunidade de fiéis (cf. 515§1) e o Catecismo da Igreja Católica concluiu: “A paróquia é um determinada comunidade de fiéis, constituída de maneira estável na Igreja particular, e seu cuidado pastoral, sob a autoridade do bispo diocesano, está confiada ao pároco, como o seu pastor próprio. É o lugar onde todos os fieis podem reunir-se para a celebração dominical da eucaristia. A paróquia inicia o povo cristão na expressão ordinária da vida litúrgica e reúne-se nessa celebração; ensina a doutrina salvífica de Cristo, pratica a caridade do Senhor nas obras boas e fraternas” (cf. 2179).

A paróquia é uma determinada “comunidade de fiéis” com uma diversidade de vocações, de itinerários espirituais, diferentes estados de vida, pessoas de diversos carismas e dons, componentes humanos diversificados, laços familiares, pertenças sociais diferentes e heranças culturais distintas.

Nos dias de hoje, as pessoas se dirigem às paróquias para buscar os sacramentos. Não confiam muito na comunidade. As pessoas querem distanciar-se de qualquer pertença forte que pareça prendê-las e aliená-las e não desejam voltar a se comprometer com a comunidade que impõe regras, normas de conduta a todos os seus membros.

A paróquia está, pois, situada no meio de um conjunto mais vasto de instituições que prestam serviços aos cidadãos. As pessoas se dirigem à paróquia para solicitar uma série de serviços especializados em matéria religiosa (batismo, primeira eucaristia, crisma, confissão, matrimônio, ordem e unção dos enfermos). As pessoas querem usufruir destes bens simbólicos (sacramentos), mas sem estar sujeitas a um envolvimento de controle social do tipo hierárquico da Igreja.

A nova imagem da Paróquia

A paróquia como “comunidade de fiéis” surge como a nova imagem padrão capaz de lançar os alicerces de um novo projeto de paróquia. É preciso incrementar a paróquias para que seja sacramento da Igreja próxima, localizável, visível, presente, reconhecível na vida das pessoas.

Frente a essa realidade, promover a revitalização da paróquia implica em assegurar sua missão institucional e torná-la mais envolvente, isto é, profundamente aberta e solidária, a serviço da proximidade entre o pároco, como animador e não protagonista da comunidade e os membros das pastorais, sem se esquecer dos inúmeros voluntários leigos que prestam algum ministério na paróquia.

Finalmente, de acordo com a eclesiologia da comunhão, a paróquia como “comunidade de fiéis” (cf. SC 42) confiada a um presbítero que representa o bispo (cf. PO 5) deve ser organizada na base do povo. Os fiéis que a compõem são a Igreja e contribuem para a sua missão neste lugar. O presbítero não faz tudo, mas vela para que tudo se faça em espírito de comunhão e participação.

A paróquia como “comunidade de fiéis” é, pois, considerada importante, quer para a renovação do ministério presbiteral, quer para a aprendizagem da colaboração pastoral da parte dos fiéis que tiverem as qualidades requeridas para tal.

Dom Edson Oriolo é Mestre em Filosofia Social. Especialista em Marketing. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Pessoas. Obras publicadas: “A nova pastoral do dízimo: formação, implantação e missão na Igreja”, Catholicus Editora; “Paróquia renovada: sinal de esperança”, “Gestão paroquial: para uma Igreja em saída” e “Pastoral do Dízimo: da comunicação ao comprometimento”, Paulus Editora.

 

Tenha na paróquia o espaço sagrado para vivenciar a renovação da vida comunitária
Micheli Ferreira
22 junho, 2021
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