True

Saiba dos fundamentos essenciais para renovar as ações em sua paróquia
15 abril, 2021 por
Saiba dos fundamentos essenciais para renovar as ações em sua paróquia
Micheli Ferreira
Nenhum Comentário Ainda

Na Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, de 16 de outubro de 1979, o papa João Paulo II afirmou: “A paróquia foi profundamente abalada pelo fenômeno da urbanização. Alguns chegaram mesmo a admitir com demasiada facilidade, que a paróquia estava ultrapassada, se não mesmo votada ao desaparecimento, em favor de pequenas comunidades mais adaptadas e eficazes. Quer se queira quer não, a paróquia continua a ser ponto de referência importante para o povo cristão, a até mesmo para os não praticantes” (n. 67).

Atualmente, a instituição paróquia sofre com tantas mudanças culturais, principalmente com o avanço vertiginoso e desordenado da urbanização e da rurbanização. Mesmo assim, a paróquia constitui uma instituição insubstituível. Ela continua sendo o lugar privilegiado onde a maioria dos fiéis busca fazer uma experiência concreta de Cristo, na verdadeira comunhão eclesial.


Desde o século IV, a instituição paróquia, sempre foi uma estrutura eclesial a que o povo cristão teve mais acesso para viver sua experiência cristã. Mesmo sabendo que as paróquias, nos séculos XIV e XV, tinham um baixo nível espiritual, o Concílio de Trento, em 1563, sancionou o estatuto jurídico da paróquia considerada como órgão principal da pastoral com o decreto De reformatione, sessão XIV. Decidiu que cada populus (conjunto de pessoas residentes em um determinado lugar) constituísse uma paróquia e que tivesse um pastor para conhecer suas ovelhas, residindo no território e cuidando do ministério da Palavra e dos Sacramentos. A paróquia tridentina estava baseada na autoridade sagrada do pároco, na celebração da Palavra, dos sacramentos e no cuidado do povo.

A Paróquia em formação 


Nos dias de hoje, pela realidade que nos cerca, sabemos que a estrutura paróquia não corresponde aos desafios da missão, sobretudo, neste mundo em “mudança de época”. A estrutura eclesial não pode parar na paróquia, sobretudo, na paróquia tradicional avessa à renovação.

Frente a esta sociedade em mudança, a instituição paróquia tem que desenvolver projetos missionários que atendam às reais possibilidades dos fenômenos da urbanização, rurbanização, da evangelização e missão profética da Igreja.

A paróquia deve prestar uma contribuição relevante em nível de relacionamento humano. De fato, a paróquia é a última localização da Igreja. Em certo sentido, é a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas tem a missão de ser “uma casa de família, fraterna e acolhedora” (CFL, 26).

Contudo, em uma sociedade “líquida”, diante do fenômeno da globalização que não é apenas geográfica e com transformações que atingem os setores da vida humana, de modo que já não vivemos uma “época de mudança, mas uma mudança de época” (cf. DGAE 2011-2015, 19), temos que descobrir o valor da paróquia.

Nesse contexto, a paróquia não estaria em vias de desaparecimento, mas convidada a uma verdadeira mutação, a uma metamorfose semelhante àquela pela qual passou ao longo da história.

3 razões para a paróquia se renovar

1ª. A paróquia necessita ser uma instituição viva;

2ª. A paróquia vive, cresce, renasce, progride e ressurge em uma sociedade em verdadeira mutação;

3ª. A paróquia é uma instituição antiga e atual e precisa de esforços especiais para ser receptiva às mudanças e capaz de se renovar.

Assim sendo, a instituição paroquial tradicional é concebida para ter continuidade, ser receptiva a mudanças e com possibilidade de efetuar diálogo com a sociedade moderna, mesmo fazendo memória do pensamento do papa Clemente I (ano 88 e 97) quando afirmou: “A Igreja tem consciência da necessidade de pensar a evangelização, mas tem dificuldade de encontrar caminhos para a ação”.


A conferência de Santo Domingo (1992) abriu horizontes ao afirmar que “a nova evangelização exige conversão pastoral” (n. 30) e o Documento de Aparecida veio dar mais um passo importante no caminho da Igreja Latino-americana com a questão da “conversão pastoral”. Assim, a instituição paróquia requer conversão pastoral. Uma verdadeira comunidade onde a Palavra e Eucaristia levem à verdadeira experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo.


Hoje, a paróquia deve corresponder melhor à sua razão institucional, propiciando uma simbiose entre as comunidades locais das quais é herdeira e fomentando a sinergia com as associações e instituições temporais, respeitando a sua legitima autonomia.

Movimento e transformação paroquial 


A paróquia como instituição exige transformações radicais: a profunda conversão pastoral e missionária de nossas comunidades, de que fala o Documento de Aparecida, n. 384, como que recolhendo clamores, aspirações e indicações que vêm de toda parte.

Destarte, a paróquia como suporte institucional no contexto atual, só será insubstituível quando aprender com a história do magistério ordinário e extraordinário a saber se renovar a tempo e assimilar, sem ingenuidades ou falsos preconceitos, os valores seculares condizentes com o Evangelho que ela tantas vezes  apregoa e aprecia.

Para isso tornar-se realidade, o papa Bento XVI nos ensina: “(...) uma das tarefas da paróquia é a hospitalidade para quantos não conhecem esta vida típica da comunidade paroquial. Não devemos ser um círculo fechado em nós mesmos. Temos os nossos costumes, mas devemos abrir-nos e procurar criar também vestíbulos, ou seja, espaços de aproximação. Devemos procurar criar com a ajuda da Palavra, aquilo que a Igreja antiga criou para os catecúmenos: espaços pelos quais a Palavra se torna  compreensível e realista, correspondente às formas de experiência real”(Discurso de Bento XVI, 26 de fevereiro de 2009).

Finalmente, entendemos o que nos diz a exortação apostólica Christifidelis Laici: “A paróquia não é principalmente uma estrutura, um território, um edifício, mais é, sobretudo, a família de Deus, como uma fraternidade animada pelo espírito de unidade; é uma casa de família, fraterna e acolhedora, é a comunidade de fiéis. A paróquia está fundada sobre uma realidade teológica, pois ela é uma comunidade eucarística” [...] “É a mesma Igreja que vive entre as casas dos seus filhos e filhas” (ChL, 26).


Dom Edson Oriolo é Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing, Pós- Graduado em Gestão Estratégias de Pessoas.

Saiba dos fundamentos essenciais para renovar as ações em sua paróquia
Micheli Ferreira
15 abril, 2021
Compartilhar
Arquivo
Entrar deixar um comentário

Whatsapp Paróquias

Olá, bem-vindo(a) a Revista Paróquias! Escolha um dos nossos atendentes. Mensagens fora do horário marcado serão respondidas quando retornar.