True

Saiba dos fundamentos essenciais para renovar as ações em sua paróquia

Na Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, de 16 de outubro de 1979, o papa João Paulo II afirmou: “A paróquia foi profundamente abalada pelo fenômeno da urbanização. Alguns chegaram mesmo a admitir com demasiada facilidade, que a paróquia estava ultrapassada, se não mesmo votada ao desaparecimento, em favor de pequenas comunidades mais adaptadas e eficazes. Quer se queira quer não, a paróquia continua a ser ponto de referência importante para o povo cristão, a até mesmo para os não praticantes” (n. 67).

Atualmente, a instituição paróquia sofre com tantas mudanças culturais, principalmente com o avanço vertiginoso e desordenado da urbanização e da rurbanização. Mesmo assim, a paróquia constitui uma instituição insubstituível. Ela continua sendo o lugar privilegiado onde a maioria dos fiéis busca fazer uma experiência concreta de Cristo, na verdadeira comunhão eclesial.


Desde o século IV, a instituição paróquia, sempre foi uma estrutura eclesial a que o povo cristão teve mais acesso para viver sua experiência cristã. Mesmo sabendo que as paróquias, nos séculos XIV e XV, tinham um baixo nível espiritual, o Concílio de Trento, em 1563, sancionou o estatuto jurídico da paróquia considerada como órgão principal da pastoral com o decreto De reformatione, sessão XIV. Decidiu que cada populus (conjunto de pessoas residentes em um determinado lugar) constituísse uma paróquia e que tivesse um pastor para conhecer suas ovelhas, residindo no território e cuidando do ministério da Palavra e dos Sacramentos. A paróquia tridentina estava baseada na autoridade sagrada do pároco, na celebração da Palavra, dos sacramentos e no cuidado do povo.

A Paróquia em formação 


Nos dias de hoje, pela realidade que nos cerca, sabemos que a estrutura paróquia não corresponde aos desafios da missão, sobretudo, neste mundo em “mudança de época”. A estrutura eclesial não pode parar na paróquia, sobretudo, na paróquia tradicional avessa à renovação.

Frente a esta sociedade em mudança, a instituição paróquia tem que desenvolver projetos missionários que atendam às reais possibilidades dos fenômenos da urbanização, rurbanização, da evangelização e missão profética da Igreja.

A paróquia deve prestar uma contribuição relevante em nível de relacionamento humano. De fato, a paróquia é a última localização da Igreja. Em certo sentido, é a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas tem a missão de ser “uma casa de família, fraterna e acolhedora” (CFL, 26).

Contudo, em uma sociedade “líquida”, diante do fenômeno da globalização que não é apenas geográfica e com transformações que atingem os setores da vida humana, de modo que já não vivemos uma “época de mudança, mas uma mudança de época” (cf. DGAE 2011-2015, 19), temos que descobrir o valor da paróquia.

Nesse contexto, a paróquia não estaria em vias de desaparecimento, mas convidada a uma verdadeira mutação, a uma metamorfose semelhante àquela pela qual passou ao longo da história.

3 razões para a paróquia se renovar

1ª. A paróquia necessita ser uma instituição viva;

2ª. A paróquia vive, cresce, renasce, progride e ressurge em uma sociedade em verdadeira mutação;

3ª. A paróquia é uma instituição antiga e atual e precisa de esforços especiais para ser receptiva às mudanças e capaz de se renovar.

Assim sendo, a instituição paroquial tradicional é concebida para ter continuidade, ser receptiva a mudanças e com possibilidade de efetuar diálogo com a sociedade moderna, mesmo fazendo memória do pensamento do papa Clemente I (ano 88 e 97) quando afirmou: “A Igreja tem consciência da necessidade de pensar a evangelização, mas tem dificuldade de encontrar caminhos para a ação”.


A conferência de Santo Domingo (1992) abriu horizontes ao afirmar que “a nova evangelização exige conversão pastoral” (n. 30) e o Documento de Aparecida veio dar mais um passo importante no caminho da Igreja Latino-americana com a questão da “conversão pastoral”. Assim, a instituição paróquia requer conversão pastoral. Uma verdadeira comunidade onde a Palavra e Eucaristia levem à verdadeira experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo.


Hoje, a paróquia deve corresponder melhor à sua razão institucional, propiciando uma simbiose entre as comunidades locais das quais é herdeira e fomentando a sinergia com as associações e instituições temporais, respeitando a sua legitima autonomia.

Movimento e transformação paroquial 


A paróquia como instituição exige transformações radicais: a profunda conversão pastoral e missionária de nossas comunidades, de que fala o Documento de Aparecida, n. 384, como que recolhendo clamores, aspirações e indicações que vêm de toda parte.

Destarte, a paróquia como suporte institucional no contexto atual, só será insubstituível quando aprender com a história do magistério ordinário e extraordinário a saber se renovar a tempo e assimilar, sem ingenuidades ou falsos preconceitos, os valores seculares condizentes com o Evangelho que ela tantas vezes  apregoa e aprecia.

Para isso tornar-se realidade, o papa Bento XVI nos ensina: “(...) uma das tarefas da paróquia é a hospitalidade para quantos não conhecem esta vida típica da comunidade paroquial. Não devemos ser um círculo fechado em nós mesmos. Temos os nossos costumes, mas devemos abrir-nos e procurar criar também vestíbulos, ou seja, espaços de aproximação. Devemos procurar criar com a ajuda da Palavra, aquilo que a Igreja antiga criou para os catecúmenos: espaços pelos quais a Palavra se torna  compreensível e realista, correspondente às formas de experiência real”(Discurso de Bento XVI, 26 de fevereiro de 2009).

Finalmente, entendemos o que nos diz a exortação apostólica Christifidelis Laici: “A paróquia não é principalmente uma estrutura, um território, um edifício, mais é, sobretudo, a família de Deus, como uma fraternidade animada pelo espírito de unidade; é uma casa de família, fraterna e acolhedora, é a comunidade de fiéis. A paróquia está fundada sobre uma realidade teológica, pois ela é uma comunidade eucarística” [...] “É a mesma Igreja que vive entre as casas dos seus filhos e filhas” (ChL, 26).


Dom Edson Oriolo é Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing, Pós- Graduado em Gestão Estratégias de Pessoas.

A revitalização das paróquias e os novos conceitos de gestão
Procure transformar o espaço que é de todos e invista em novos conceitos de gestão