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Sentar-se à mesa da fé: igualdade e liberdade em Jesus Cristo
Acolher o evangelho, significa imitar as palavras e as atitudes de Jesus, que ensina a supera todos os limites impostos pelas culturas e pela religião da época
30 setembro, 2021 por
Sentar-se à mesa da fé: igualdade e liberdade em Jesus Cristo
Micheli Ferreira
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A Igreja no Brasil celebra 50 anos do Mês da Bíblia. É uma caminhada rica de leitura, meditação e atenção às orientações da Palavra de Deus para nossa vida cristã concreta no cotidiano.

Para o ano de 2021 foi escolhida a Carta aos Gálatas, escrita pelo apóstolo Paulo, para sustentar o amor à pessoa de Jesus Cristo e sua proposta inovadora de liberdade, fraternidade e igualdade a partir da fé. A Carta aos Gálatas contém uma rica reflexão sobre a vida em comunidade, tendo como ponto comum a vida nova recebida pelo Batismo.

Esta condição de irmãos e irmãs na fé é uma novidade para o mundo atual. É um “evangelho” diante das divisões, das intrigas e fofocas que permeiam as nossas relações humanas. Neste contexto, é salutar recordar as palavras do papa emérito Bento XVI, na Exortação Apostólica Verbum Domini, sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja:

“A Palavra de Deus revela a natureza filial e relacional da nossa vida. Somos chamados a configurar-nos com Cristo, o Filho do Pai, e a ser transformados n’Ele.” (N. 22).


Breves considerações sobre a Carta aos Gálatas

A Carta aos Gálatas é composta de 6 capítulos. Existe um fio de ouro, um tema comum que costura todos os 6 capítulos da Carta aos Gálatas, que é a palavra evangelho.  Para Paulo, evangelho é mais que um livro, mas se trata de uma pessoa, Jesus Cristo e suas ações. A vida nova que Jesus traz consigo supera todas as indicações da Lei antiga. Jesus de Nazaré é o grande dom de Deus, revelando-se ele mesmo amor e bondade infinita do Pai para com a humanidade.

Acolher o evangelho, significa imitar as palavras e as atitudes de Jesus, que ensina a supera todos os limites impostos pelas culturas e pela religião da época. Acreditar em Jesus e entregar-se a ele é aceitar que Deus justifica judeus, gregos, gentios e toda pessoa de boa vontade.

O tema da justificação aparece na Carta aos Gálatas e na Carta aos Romanos, por isso, elas são como irmãs gêmeas. Justificar é uma expressão para explicar que, no campo da fé, é Deus quem age e não o ser humano. É pela fé em Jesus que Deus age em nosso favor, acolhendo a nossa atitude sincera de conversão e práticas de caridade.

Afirma o apostolo: “Eu vivo da fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Paulo ensina com certeza e mística, para animar a comunidade da Galácia a abrirem seus corações e suas mentes para o encontro com Jesus Cristo, que dá novo sentido para as nossas vidas.

A Carta aos Gálatas é o testamento da unidade na fé, deixada por Paulo. Receber o dom da fé por meio do sacramento do Batismo é compreender que toda pessoa se torna uma nova criatura, capaz de mudar as relações de egoísmo, violência e exclusão em ambientes de acolhida, de paz e de harmonia.

Roteiro de Leitura Orante da Palavra – o Hino Batismal

Canto:

Vem, vem, vem! Vem Espírito Santo de amor!

Vem a nós, traz à Igreja um novo vigor!

Presente no início do mundo, presente na criação.

Do nada geraste a vida, que a vida não sofra no irmão.

Passo 1 – Leitura do texto: deixar o texto falar

Leitura da Carta de são Paulo aos Gálatas (Gl 3,23-29).

  • Guardar instantes de silêncio para meditação pessoal.

  • Quais as expressões ou símbolos que chamam atenção no texto? (Partilha olhando o texto)

Algumas considerações:

  • Geralmente, as cartas de Paulo estão dirigidas para cidades (comunidades) bem determinadas. A carta aos Gálatas é enviada às igrejas da Galácia (Gl 1,2), ou seja, comunidades eclesiais dispersas na mesma região (atual Turquia), que partilhavam entre si as mensagens de Paulo.

  • A região da Galácia foi visitada por Paulo em sua primeira viagem missionária, nos anos 48/49. A região compreende o território atual da Turquia, na Ásia Menor (Galácia, Ponto, Capadócia, Bitínia - ver At 2,7-9).

  • O tema da carta, de maneira geral, é a preocupação de Paulo com aquelas comunidades, pois havia rumores do afastamento de pessoas em virtude da presença de outras correntes de fé. O suposto fracasso da missão de Paulo decorria da influência de falsos profetas que tentavam resgatar as antigas leis judaicas.

  • São temas centrais do trecho que estamos meditando: a escravidão gerada pelo legalismo (fazer a Lei maior que a vida), a filiação divina (a herança de vida nova por meio do Batismo), a liberdade cristã (deixar-se conduzir pelo Espírito de Cristo).

Passo 2 – Meditação do texto: assimilar o texto em nossa vida

1 – O tema central da Carta aos Gálatas é a preocupação de Paulo com as pessoas das comunidades cristãs da Galácia que haviam se deixado influenciar por anúncios contrários ao amor gratuito de Jesus Cristo crucificado-ressucitado, como manifestação da graça de Deus.

2 – Paulo usa uma linguagem dura contra os falsos profetas que tentavam resgatar as antigas leis judaicas, pessoas conhecidas como judaizantes. Por isso, Paulo criticava a exigência das práticas antigas da Lei (o sábado, circuncisão, puro e impuro), como condição para a salvação das pessoas.

3 – A atualidade da Carta aos Gálatas está na contribuição para refletir sobre os riscos do formalismo religioso. Os temas abordados chamam atenção para que a fé não fique presa nos ritos (ex.: circuncisão) ou em adereços externos. Diante das novas realidades e situações, Paulo pede vigilância na fé, diálogo com as pessoas e abertura à graça de Deus que se manifesta na diversidade das culturas.

4 - O Batismo nos faz pertencer à família de Deus, somos feitos filhos no Filho. Há um sentido comunitário, totalmente novo, que implica em nossas relações sociais: partilhamos a mesma mesa da vida, escravos e senhores, judeus e gregos, homens e mulheres, SOMOS TODOS IRMÃOS.

Canto

Banhados em Cristo, somos uma nova criatura, as coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo. Aleluia, aleluia, aleluia.

5 – A fé em Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado, exige atitudes de partilha, fraternidade e unidade, porque a fé que herdamos da comunidade não é uma invenção humana, mas uma resposta sincera e concreta ao amor de Deus que nos alcança seja em qual for a realidade e promove nossa dignidade, renovando nossa esperança de paz e justiça.

6 – Para partilhar em grupo:

  • a) Deus nos criou livres, mas o pecado nos torna escravos. O que temos feito para vencer nossos instintos e atitudes de divisão?

  • b) A nova lei não é uma marca na carne, mas uma obra concreta de amor pela humanidade (Jo 15,12). O que temos feito como sinal do Mandamento Novo na comunidade?


Passo 3 – Oração com o texto: o que dizer a Deus?

“Pela fé em Cristo Jesus, sois todos filhos de Deus” (Gl 3,26).

Canto:

Reveste-me, Senhor, com tua graça. Eu quero meu irmão servir melhor. Que o teu Espírito em mim se faça, que eu possa caminhar no teu amor.

Reveste-me, Senhor. Reveste-me, Senhor. Reveste-me, Senhor com teu amor.

Passo 4 – Viver o texto: assumir o compromisso com a Palavra

  • Paulo estabelece um código moral, um esquema de serviço mútuo na comunidade: “Corrigi-vos com mansidão; Carregai o peso uns dos outros; Não desanimar de fazer o bem (Gl 6,1.2.9).

  • Como tornar estes mandamentos concretos na comunidade?

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.


Ariél Philippi Machado é 

Catequista na Arquidiocese de Florianópolis (SC), membro da Rede Lumen de Catequese, Teólogo e Especialista em Catequese – Iniciação à Vida Cristã. 

 

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Micheli Ferreira
30 setembro, 2021
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