True

O processo de comunicação divina: do verbo de Deus ao Verbo de Deus
24 junho, 2021 por
O processo de comunicação divina: do verbo de Deus ao Verbo de Deus
Micheli Ferreira
Nenhum Comentário Ainda

A comunicação é algo intrínseco à vida do homem desde os primórdios das civilizações e podemos dizer, em âmbitos religiosos, que a comunicação está desde o princípio e é ela o princípio de tudo. Sabemos que o processo de comunicação é falho, sempre temos ruídos na mensagem emitida e recebida, mas no processo de comunicação divina não encontramos, pois dentro da comunidade perfeita da Santíssima Trindade tudo se comunica de forma magistral e é por essa comunicação que tudo foi feito.

Podemos observar que a comunicação está em Deus desde o princípio, através do ato de comunicar falado. Através do verbo, Deus cria: faça-se, e tudo assim foi feito, como podemos bem observar no livro do Gênesis.(cf. Gn 1, 1-27). Da criação da luz até a criação do homem, tudo é feito porque Deus assim verbalizou suas ações. A criação é gerada no ato verbal.

A história da salvação é um caminho complexo marcado por muitos fatos comunicativos entre Deus e o seu povo escolhido.  Aos homens, Deus comunicou todo seu projeto de salvação e todas as suas promessas, sempre através do verbo, toda a caminhada e história do antigo testamento é verbalizada por Deus com pedidos e ordens e realizada por seus escolhidos.

O verbo de Deus é que explica a Noé: “Eis que vou fazer cair o dilúvio sobre a terra […]” (cf. Gn 6,17-18). É ele que dá ordens a Abraão: “Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar ” (Gn 12,1), assim como dá ordens à descendência de Abraão: Isaac e Jacó.

Um grande passo no processo comunicativo de Deus é a missão de Moisés. Ele se comunica como o “Eu sou!”, tomando para Ele a forma verbal, como ação concreta. O que aos patriarcas Ele não deu a conhecer, em Moisés  revela-se (cf. Ex 6, 2- 3).

Entre muitos pedidos de Deus a Moisés, o que nos faz perceber a evolução na mensagem comunicada é o evento ocorrido no monte Sinai, onde Deus mesmo escreve as tábuas da lei: “Tendo o Senhor acabado de falar a Moisés sobre o monte Sinai, entregou-lhe as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus.” (Ex 31, 18).

Depois do evento de quebrar as tábuas, Ele pede a Moises que escreva suas leis, transformando o verbo falado em lei, em um caminho a ser trilhado: “Talha duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras: escreverei nelas as palavras que se encontravam nas primeiras tábuas que quebraste.” (Ex 34, 1).

Todo caminho com os reis, profetas e juízes, é um processo longo onde Deus caminha, comunicando-se com o povo através de pessoas escolhidas, olhando e ouvindo o seu clamor.

A transformação na comunicação acontece na realização do projeto da salvação. Como nos diz São Paulo: “De muitas maneiras Deus falou aos homens no passado através dos profetas. Agora nesses tempos que são os últimos falou-nos através de seu filho Jesus” (Hb 1,1).

O que encontramos no primeiro capítulo do livro de Gênesis, no qual Deus verbalizava as ações, encontramos também no primeiro capítulo do evangelho de João, no novo testamento, o qual o verbo de Deus tornou-se o Verbo de Deus encarnado.

O evento Jesus de Nazaré faz o verbo ação ser o Verbo vivo de Deus, aquele que estava no momento da criação, se fez criatura: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito […]” (cf. Jo1-14).

A mudança que encontramos no novo testamento é: o que era comunicado por Deus em palavras, agora se faz testemunho vivo através de Jesus, pois são seus atos, palavras e forma de ser que fazem a comunicação divina acontecer.

O sermão da montanha é o centro da mensagem divina. O Verbo de Deus mostra para todos os que o ouvem (cf. Mt 5, 1-12):

  • Onde se encontra o desejo do Pai;

  • Que todos sejam bem-aventurados em bondade;

  • Que pelo nome de Cristo levem a mensagem, para assim alcançar o reino dos céus.

O que nos vale observar é que o processo comunicativo de Deus não se finda em uma pessoa, Jesus. Sendo Ele o Comunicador por excelência se faz a própria mensagem, e em sua ascensão aos céus transmite a missão comunicativa à Igreja que é chamada a ser comunicadora da verdade do Reino e do amor de Deus: “Jesus, aproximando-se, lhes disse: ‘Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.  Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo’.” (Mt 28, 18-20).

Hoje a Igreja missionária é quem continua a propagar a mensagem de Deus e é responsável por dar sequência no processo de comunicação.  O decreto conciliar Inter Mirifica no Concílio Vaticano II nos afirma que: “compete principalmente aos leigos vivificar com espírito humano e cristão estes meios, a fim de que correspondam à grande esperança do gênero humano e aos desígnios divinos”(IM, n.3).

Por tanto, somos nós chamados a sermos comunicadores nesse processo divino. Como nos diz o Papa Francisco na mensagem pelo 54º Dia Mundial das Comunicações, somos narradores da história: “A história de Cristo não é um patrimônio do passado; é a nossa história, sempre atual. Mostra-nos que Deus tomou a peito o homem, a nossa carne, a nossa história, a ponto de Se fazer homem, carne e história. E diz-nos também que não existem histórias humanas insignificantes ou pequenas. Depois que Deus se fez história, toda a história humana é, de certo modo, história divina. Na história de cada homem, o Pai revê a história do seu Filho descido à terra. Cada história humana tem uma dignidade incancelável. Por isso, a humanidade merece narrações que estejam à sua altura, àquela altura vertiginosa e fascinante a que Jesus a elevou”.

E por fim, quando assumimos a missão de fazer parte do processo comunicativo, assumimos a missão de anunciar o Verbo de Deus. Nós, então, nos tornamos o próprio Cristo, pois: “narrarmos ao Senhor é entrar no seu olhar de amor compassivo por nós e pelos outros” (Papa Francisco).

Douglas dos Santos Reis Rocha

 

O processo de comunicação divina: do verbo de Deus ao Verbo de Deus
Micheli Ferreira
24 junho, 2021
Compartilhar
Arquivo
Entrar deixar um comentário

Whatsapp Paróquias

Olá, bem-vindo(a) a Revista Paróquias! Escolha um dos nossos atendentes. Mensagens fora do horário marcado serão respondidas quando retornar.