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O comunicador de Cristo em um mundo conectado
Seja um comunicador da mensagem de Cristo em um mundo em que todos estão conectados
6 maio, 2021 por
O comunicador de Cristo em um mundo conectado
Micheli Ferreira
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Visitando uma família, quando pároco em Pouso Alegre (MG), deparei-me com dois jovens: uma moça de 24 anos e um rapaz de 22 anos, que estavam conectados com os celulares. Uma verdadeira atenção focada naqueles aparelhos.

Depois de um cumprimento de “boa tarde”, lacônico e genérico, convidaram-me para sentar e continuaram online. Retomaram seus celulares e eu fiquei observando a ambos. A sala parecia um claustro beneditino. Um silêncio total! Logo quebrei o silêncio e comecei a interrogá-los para saber o que estavam fazendo.

A moça logo mostrou o Iphone5 e as informações históricas de vídeos musicais que estava lendo e conhecendo. O rapaz estava acessando um site de relacionamento e partilhava mensagens com outras pessoas. Um mundo totalmente online, digital. Ambos objetivos, autênticos, breve e sabiam bem o que estavam fazendo.

Foi a partir daí que comecei a me despertar para o cotidiano das pessoas, que estão 24 horas conectadas online. Na rua, pais acessando seus celulares e os filhos andando ao lado, fazendo o mesmo. Nos restaurantes, as pessoas, antes de se sentarem à mesa, logo pegam seus celulares. Nos pontos de ônibus, todos conectados, todos com seus aparelhos, escutando, conversando, buscando informações, relacionando, etc.

Esta realidade do mundo digital vem transformando a nossa maneira de comunicar. Uma verdadeira transformação! Hoje somos online. Mudanças culturais, principalmente, com ajuda da ciência (saber) e da tecnologia (fazer).

Mensagem Direta 

O Papa Bento XVI já alertava que, no mundo digital, transmitir informações significa, com frequência, sempre mais inseri-las em uma rede social, onde o conhecimento é partilhado em intercâmbios pessoais. A distinção clara entre o produtor e o consumidor da informação parece relativizada, pretendendo a comunicação ser não só uma troca de dados, mas também e, cada vez mais, uma partilha.

Por outro lado, o Papa Francisco, na Mensagem para o 48º Dia das Comunicações Sociais (2014), em um tom claramente confiante, mas com muita prudência e sem esquecer os perigos, afirmou que “a internet pode oferecer mais possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos, o que é coisa boa, um dom de Deus”. E usando o ícone do Bom Samaritano, considera que a Igreja deve empenhar-se na internet para levar óleo e vinho ao homem ferido e que “a nossa comunicação seja um óleo perfumado para a dor e vinho bom para a alegria”.

Voltando aos dois jovens que estavam “online”, isto é, disponíveis para receber informações e se relacionarem dentro de uma rede de informática, e ao pensamento de Bento XVI e ao de Francisco, devemos entender que o mundo digital ajuda na informação e no relacionamento.

Neste mundo, devemos nos informar e relacionar com o sistema online. Temos que usar as plataformas do sistema online para a evangelização. O importante é ser presença neste meio e não ter medo da mídia. Os aplicativos são importantes meios de compartilhamentos para a evangelização. Devemos usá-los com criatividade e saber colocar nossa mensagem para transmitir Cristo às pessoas.

O fato me fez refletir sobre Jesus Cristo como exímio comunicador das verdades reveladas. Ele veio informar (anunciar) sobre o Reino de Deus e relacionar-se com toda a humanidade (fazer história). Jesus usou todos os recursos da sua época para ser boa-nova e anunciar o Reino dos Deus. Sua temática é plataforma de evangelização.

A Missão 

Hoje, a grande missão da Igreja é comunicar o comunicador do Pai. Levar e ser Boa-Nova ao mundo inteiro.

Assim sendo, o mundo digital está em todos os aspectos da vida das pessoas. Muita coisa é online. A velocidade da comunicação, a expectativa da mídia e os aplicativos são realidades com as quais devemos nos envolver para ajudar a nossa missão de anunciar o evangelho e viver o mandamento maior de amor aos irmãos.  A Igreja tem que ter presença apropriada no mundo digital e atingir a vida das pessoas. Trata-se de um novo mundo.

No entanto, o “estar online na evangelização” vai nos levar a dinamizar a ‘Pastoral do Encontro’ que deve ter como proposta evangélica: estar ciente de que as pessoas necessitam de ser salvas, de ser redimidas (resgatadas) e de se assumirem como criaturas (criação). A ação da ‘Pastoral do Encontro’ deve ser processada nestes três distintos níveis, pois, há pessoas que ainda devem ser ajudadas a se valorizar como pessoas (autonomia, racionalidade, convivência, saída de si...) e a saírem do próprio mundo e da própria precisão de sobrevivência material. Há pessoas que necessitam ser resgatadas em sua própria estima e de situações conflitivas (droga, exclusão, exploração material e afetiva, prisão etc...). Há pessoas que necessitam ser salvas de uma vida sem sentido e sem horizonte (doença grave, velhice, morte iminente..).

Finalmente, sermos online é ajudar as pessoas e o mundo a serem melhores.

Dom Edson Oriolo é Mestre em Filosofia Social, Especialista em Marketing, Pós-Graduado em Gestão Estratégicas de Pessoas. 
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6 maio, 2021
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