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Descubra que a catequese é sinal de evangelização para a vida
A Igreja no Brasil tem dado passos largos no aprimoramento de uma catequese vivencial, de inspiração catecumenal, de envolvimento familiar e cada vez mais eclesial
11 maio, 2021 por
Descubra que a catequese é sinal de evangelização para a vida
Micheli Ferreira
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Já refletimos em um dos artigos da revista Paróquias na edição número 60 sobre a importância da formação catequética para a vida da criança, do adolescente, do jovem e adulto, enfim, na formação de todo cristão. Abordamos a temática sobre a educação catequética integral e o esforço para que a família faça parte do aprofundamento da iniciação cristã dos catequizandos. Continuamos a nossa reflexão neste contexto da importância da formação de iniciação à vida cristã ressaltando as bases fundamentais para uma boa eficiência e dinamicidade para o trabalho dos agentes pastorais, sobretudo, os catequistas.

Obviamente, todo esforço das pastorais para promover o anuncio querigmático no âmbito catequético passa pelo apelo do próprio Cristo. Pois, "o mandato missionário do Senhor inclui o apelo ao crescimento da fé, quando diz: 'ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado' (Mt 28, 20). Daqui se vê claramente que o primeiro anúncio deve desencadear também um caminho de formação e de amadurecimento. A evangelização procura também o crescimento, o que implica tomar muito a sério em cada pessoa o projeto que Deus tem para ela. Cada ser humano precisa sempre mais de Cristo, e a evangelização não deveria deixar que alguém se contente com pouco, mas possa dizer com plena verdade: 'Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim' (Gal 2, 20)"[1].

Os agentes pastorais e catequistas devem partilhar a fé e, pelo testemunho convicto, promover o anúncio com a própria vida. Sabemos que todo o dinamismo pastoral da Igreja também requer e favorece o caminho da iniciação cristã, pois o testemunho de quem vive uma profunda adesão a Jesus Cristo diz muito para o nosso contexto de mundo globalizado. A cada passo, ensinamento e dedicação ao trabalho de evangelização, "devemos dar ao nosso caminhar o ritmo salutar da proximidade, com um olhar respeitoso e cheio de compaixão, mas que ao mesmo tempo cure, liberte e anime a amadurecer na vida cristã"[2].

Neste ínterim formativo, sabemos da importância dos documentos oferecidos pela Igreja e dos estudos articulados pela CNBB para um bom aprofundamento da fé nas catequeses de iniciação cristã, contudo, não se pode perder de vista que a base para o processo formativo da catequese está na Palavra de Deus. “O estudo da Sagrada Escritura deve ser uma porta aberta para todos os crentes. É fundamental que a Palavra revelada fecunde radicalmente a catequese e todos os esforços para transmitir a fé. A evangelização requer a familiaridade com a Palavra de Deus, e isto exige que as dioceses, paróquias e todos os grupos católicos proponham um estudo sério e perseverante da Bíblia e promovam igualmente a sua leitura orante pessoal e comunitária”[3].

Formação Integrada 

A inspiração catecumenal torna-se uma exigência para a catequese atual, pois, imbuídos pela Palavra de Deus que ilumina nossos passos, a inspiração catecumenal promove uma formação consistente aos cristãos, tornando-os atuantes e conscientes de que a experiência com a pessoa de Jesus é critério de fé, portanto, enraizada numa adesão pessoal.  Em uma formação cristã integral, somos chamados a percorrer um itinerário de tempos e fases. O pré-catecumenal, que é o primeiro tempo, trata do querigma, o anúncio e conhecimento da pessoa de Jesus. O catecumenato, como segundo tempo, dedicado ao ensino bíblico-doutrinal e ao aprofundamento. A iluminação e purificação, como terceiro tempo, refere-se ao amadurecimento espiritual na vivencia dos sacramentos pela experiência com o Mistério Pascal. E, como quarto tempo, a mistagogia, trata-se do tempo litúrgico por excelência, pois os iniciados à vida sacramental são chamados a vivenciar a comunhão eclesial no seio da comunidade[4]. Tudo isso, como riqueza para o amadurecimento cristão na vida da Igreja e aprofundamento da dinâmica da iniciação cristã.

É preciso compreender que no processo formativo catequético a vida de comunidade tem um papel fundamental, pois o catequizando aprende na convivência e pelo testemunho de cada membro e, sobretudo, nos momentos em que a comunidade se reúne em torno do altar para celebrar e viver o Mistério Pascal de Cristo. Conscientes de que “no Símbolo da Fé, a Igreja confessa o mistério da Santíssima Trindade e seu ‘desígnio benevolente’ (Ef 1,9) sobre toda a criação: o Pai realiza o ‘mistério de sua vontade’ entregando seu Filho bem-amado e seu Espírito para a salvação do mundo e para a glória de seu nome”. Por isso, a importância dos agentes pastorais e catequistas em promover momentos celebrativos catequéticos para amadurecer a concepção de liturgia, dos sacramentos, do Mistério pascal de Cristo e da vida eclesial.

Fé e aprendizado 

Deve haver um despertar para entender que na constituição de cada pessoa existe a dimensão do crer, isto é, de experimentar a fé. Fé esta que é dom de Deus para toda a humanidade, pois Deus se revela, se faz homem, Deus nos dá a possibilidade de conhecê-lo pela fé. De tal maneira que a manifestação da fé está estritamente ligada à vida de cada fiel. As experiências no cotidiano da comunidade, no dia a dia de cada cristão deve ser também expressão de fé. Portanto é preciso educar para a fé, para o exercício de uma fé consciente e comprometida para com a vida em comunidade.

Contudo, cada processo catequético deve ser vivenciado desde as salas de catequese aos ambientes celebrativos e de convivências das comunidades e paróquias. No aprendizado das primeiras orações, os primeiros contatos com a Bíblia, a reza do terço, o cultivo das devoções populares, o entendimento do Pai Nosso, o aprofundamento na profissão de fé, a experiência da reconciliação, o conhecimento do ambiente pastoral em suas diversas possibilidades e carismas, enfim, inserir a criança, o adolescente, o jovem e adulto no contexto do ser Igreja, povo de Deus. Sendo assim, no ambiente pastoral e na convivência dos fiéis, “a comunidade eclesial inteira tem uma parcela de responsabilidade no desenvolvimento e na conservação da graça recebida no Batismo”[5].

Torna-se evidente, portanto, que todo cristão é chamado a fazer um percurso de amadurecimento de fé que engloba a sua vida em sua totalidade, no qual a Igreja tem um papel fundamental em suas iniciativas de evangelização, sobretudo, no que tange aos projetos de iniciação cristã. A Igreja no Brasil tem dado passos largos no aprimoramento de uma catequese vivencial, de inspiração catecumenal, de envolvimento familiar e cada vez mais eclesial. Cabe a cada diocese, paróquias e comunidades promover a comunhão enquanto Igreja, agregando a cada projeto as particularidades de sua realidade local, primando sempre pelo anúncio da pessoa de Jesus Cristo.

Pe. José Ronaldo de Castro Gouvêa, SCJ é Vigário no Santuário São Judas Tadeu em São Paulo/SP, Assessor de Comunicação da Região Episcopal Ipiranga da Arquidiocese de São Paulo.


[1] FRANCISCO. Evangelii Gaudium: sobre o anúncio do Evangelho. São Paulo, Loyola, 2014, n.160.

[2] FRANCISCO. Evangelii Gaudium, n.169.

[3] FRANCISCO. Evangelii Gaudium, n.175.

[4] Cf. COMISSÃO EPISCOPAL PASTORAL PARA A ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA DA CNBB. Itinerário Catequético: iniciação à vida cristã – um processo de inspiração catecumenal. Brasília, CNBB, 2015 p. 68-69.

[5] CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Petrópolis, Vozes, 2000, n. 1255.

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