Vida Consagrada

Testemunhe uma espiritualidade orante e partilhada em sua comunidade

Como um luzeiro no alto de uma montanha, brilha para nós a comunidade dos primeiros cristãos de Jerusalém. Esta comunidade estava apoiada sobre três colunas:

1. A diaconia, vivida no serviço ao próximo e na comunhão de bens, por isso ‘não havia necessitados entre eles’;

2. A liturgia, quando se reuniam para a fração do pão, ou seja, para a Eucaristia, e para a oração;

3. A catequese, quando era transmitido o ensinamento dos Apóstolos (At 2,42-47).

Como fruto da vivência destes três elementos, a Comunidade de Jerusalém era ‘um só coração e uma só alma’ (At 4,32-36), anseio que se tornou o desejo dos cristãos que ao longo dos séculos abraçaram a Vida Religiosa. É a partir destes três aspectos que nasce o que hoje chamamos de carisma de uma Ordem ou Congregação Religiosa. Por meio deles podemos ver ser nossa vida espiritual e nossa atuação está em equilíbrio, tanto em sua dimensão pessoal, quanto comunitária ou paroquial. Podemos balizar o ano que inicia a partir deste tripé que é base de uma comunidade cristã bem formada.

Comunhão

O saudoso Papa João Paulo II salienta que a Vida Religiosa precisa ter uma “espiritualidade de comunhão”, um “Sentire cum Ecclesia”.  Esta vida de comunhão torna-se um sinal para o mundo e uma força de atração que leva à fé em Cristo. “A comunhão gera comunhão e reveste essencialmente a forma de comunhão missionária”, explica o Papa (Vita Consecrata, 46).

O fruto mais notável dessa “espiritualidade de comunhão” está na colaboração que os religiosos e religiosas dão à Igreja particular, de acordo com seus carismas fundacionais, no âmbito da evangelização, da catequese, da vida das paróquias e das pastorais diocesanas.  Assim, para que a vida e a missão dos consagrados estejam inseridas na Igreja particular e em comunhão com o Bispo, “é necessário criar meios comuns e iniciativas de colaboração que levem a um conhecimento e valorização mútuos e a compartilhar uma missão com todos os chamados a seguir Jesus” (DAp, 218).

Testemunho

Outro aspecto da espiritualidade da Vida Religiosa é o que podemos chamar de “espiritualidade de testemunho”. Ela é vivida na prática dos conselhos evangélicos, atualizando o mistério de Cristo na Igreja e no mundo, no tempo e no espaço. Nesse sentido, os votos religiosos são fundamentais, pois além de serem um meio de adquirir a liberdade interior e de atuação necessários para realizar a vocação de ser verdadeiro sinal de Cristo no mundo, configuram o religioso ao Cristo, Ele mesmo casto, pobre e obediente por meio dos votos, a vida religiosa se converte em “testemunha do Deus da vida em uma realidade que relativiza seu valor (obediência), é testemunha de liberdade frente ao mercado e às riquezas que valorizam as pessoas pelo ter (pobreza), e é testemunha de uma entrega no amor radical e livre a Deus e à humanidade frente à erotização e banalização das relações (castidade)” (DAp, 219).

Exemplo de vida

Atualmente, se percebe que novas formas de Vida Religiosa vêm se juntar às antigas, graças à constante atração que ainda hoje continuam a exercer o ideal da Comunidade de Jerusalém, a doação total ao Cristo e os carismas fundacionais.

Uma das maneiras de cultivar esta planta foi sugerida na Assembleia dos Religiosos de 2009, que teve por tema “Palavra e Profecia na Vida Religiosa”. A proposta é formar grupos de “leitura orante” tanto entre os religiosos quanto com os leigos, nas comunidades e paróquias, para que Escritura se torne uma fonte da experiência de Deus.

Ir. Roberta Peluso, OSB é Monja Beneditina do Mosteiro da Santíssima Trindade em Santa Cruz do Sul/RS, Graduada em Letras pela Universidade de Brasília/UnB.

Contato: msstrindade@viavale.com.br

Site: www.mosteirotrindade.com.br

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