Siga os passos para aprimorar a capacidade de administrar melhor sua comunidade
POR HENRIQUE HOLANDA
Desde que me conheço por leitor da Bíblia, uma das parábolas que me chamam mais atenção é a parábola dos talentos*. Sempre achei o conteúdo dessa parábola forte e marcante. Quando cursei o MBA em 2004, particularmente na matéria de Instrumentos de gestão organizacional onde tratávamos sobre Administração, essa parábola fez ainda mais sentido em minha mente e coração, veja:
*“Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens. A um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu. Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois. Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor. Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas. O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.’Disse-lhe seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor. O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: – Senhor, confiaste-me dois talentos; eis aqui os dois outros que lucrei. Disse-lhe seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor. Veio, por fim, o que recebeu só um talento: Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence. Respondeu-lhe seu senhor: Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei. Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu. Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez. Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter. E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 25, 14-30).
Administração em conceito é o processo de trabalhar com pessoas e recursos para realizar os objetivos organizacionais. Bons administradores fazem essas coisas de maneira eficaz e eficientemente.
Eficaz: atingir os objetivos da organização;
Eficiente: atingir os objetivos com o mínimo de perda possível, ou seja, fazer o melhor uso possível do dinheiro, do tempo, dos materiais e das pessoas. Maus administradores falham em ambos os critérios ou focalizam um deles em detrimento do outro.
Os administradores são universais e presentes em qualquer tipo de organização, em grandes e em pequenos negócios, hospitais, escolas, governo, igrejas e casas religiosas se beneficiam de uma administração eficiente e eficaz, os líderes destas organizações são chamados de executivos, administradores, dirigentes ou padres, mas todos são administradores responsáveis pelo sucesso ou fracasso da organização.
Explicando a parábola
No texto de Mateus 25, 14-30 está implícito que o dono dos bens/talentos esperava retornar e receber algum lucro com estes que confiou a seus servos, o primeiro servo entendeu a mensagem implícita pelo patrão, ou seja, o objetivo que ele tinha que atingir, logo trabalhou de maneira eficaz e eficiente, tratou de fazer negócios e angariar para seu patrão o lucro esperado, assim também aconteceu com o segundo servo, porém o terceiro servo por falta de VISÃO, ou decodificação correta da mensagem implícita, correu e enterrou a parte que lhe cabia prosperar, ao retornar o patrão além de puni-lo, ainda lhe tira até o que tem e entrega ao primeiro servo que tinha muito e agora fica com mais.
Mas qual a diferença entre o primeiro servo e o terceiro? Basicamente falando, o terceiro errou ao identificar o nível de administração no qual ele se encontrava.
A administração se divide em 3 níveis
1. Nível Estratégico (uma imagem que lembre o conceito, ex. flexa)
Onde a principal atividade é a identificação e desenvolvimento de objetivos para a organização, administradores estratégicos focalizam questões de longo prazo e enfatizam a sobrevivência a eficácia e o crescimento da organização;
2. Nível Tático (uma imagem que lembre o conceito, ex. relacionamento entre pessoas)
Traduzir os objetivos gerais em planos de ação específicos para atingir os objetivos estratégicos. Os administradores táticos se atém a trabalhar com relacionamento pessoal e o atingir os resultados;
3.Nível Operacional (uma imagem que lembre o conceito, ex. pessoas trabalhando)
São administradores de nível de supervisão das operações, estão diretamente envolvidos com os funcionários e operacionalizando, em outras palavras botando a mão na massa, juntamente com os colaboradores para atender aos planos de ação do nível tático.
Fatores indispensáveis
Em se falando de administração eclesial, um paradigma que notamos ainda persistir é que a administração da Igreja é diferente da administração empresarial. Em tempos de globalização onde estamos em plena era do conhecimento, a administração no modelo “papel de pão” já não mais tem espaço e muito menos garante segurança e credibilidade a organização. Existe uma forte necessidade de atualizarmos a administração das casas religiosas, comunidades, pastorais, movimentos e paróquias, para uma administração mais estratégica, ou seja, que tenha visão de onde quer chegar e assim criar planos para alcançar seus objetivos.
Na administração, em qualquer tipo de administração existem 4 funções básicas a serem cumpridas por um administrador, e são: Planejar, Organizar, Liderar e Controlar. Um bom administrador não negligencia nenhuma dessas funções, pois o sucesso ou fracasso está baseado no cumprimento dessas funções de maneira sistêmica e disciplinada.
Penso que se o terceiro servo tivesse feito um planejamento estratégico não teria enterrado o talento, mas teria negociado com o mesmo, pois não interessa o quanto foi dado pelo patrão, a questão é que foi dado algo, que o mesmo nunca teve e nem fazia ideia que teria e sobre este algo devemos traçar grandes planos e objetivos para que possamos obter resultados excelentes. Vale lembrar que o patrão não deu somente dinheiro (talentos), mas em primeiro lugar deu sua CONFIANÇA!
Olhar para uma pequena paróquia, casa religiosa ou instituição e dizer que não vale a pena investir em uma administração profissional, organizada e controlada é negligeno potencial de sua organização. O administrador principalmente da obra de Deus, deve ainda agir com mais afinco e buscar o profissionalismo do que está sob sua gestão, pois a administração organizada, clara e transparente passa credibilidade. Veja o mercado de ação, é todo baseado em credibilidade, os acionistas investem em quem acreditam que possam dar retorno, guardadas as devidas proporções, a Igreja, casa religiosa, pastoral e movimento, quando tem uma boa administração geram credibilidade que gera mais recursos, alem é claro de mais membros e novas conversões, passam-se a ser modelo.
Se você sente que a administração de sua instituição é pequena e nota que não está indo para frente, segue aqui algumas dicas para colocar em prática imediatamente:
LEI BÁSICA: nunca gaste mais do que tem em seu caixa; (uma imagem que lembre o conceito, ex. um livro de contas)
ESTRATÉGIA: reúna-se com seus conselheiros e defina em primeiro lugar, a visão, ou seja, onde estamos hoje e onde queremos estar (visão é de longo alcance não hesite em pensar grande!), lembre-se do motivo pelo qual você está na organização, seu tamanho atual como organização, sua geografia, seus valores, etc; (uma imagem que lembre o conceito, ex. reunião)
TÁTICA: crie uma missão, como faremos a visão se tornar realidade e a partir disso elenque objetivos e metas para serem cumpridos; (uma imagem que lembre o conceito, ex. uma pessoa olhando para o horizonte)
OPERACIONAL: coloque profissionais no controle, ou capacite os que estão atualmente no controle, para que supervisionem e auxiliem o alcance dos objetivos, apesar de baixo o custo de uma administração não profissional, os impactos negativos a médio e longo prazo podem ser danosos para a reputação da organização, fazendo com que a mesma pare ou até mesmo morra; (uma imagem que lembre o conceito, ex. profissionais)
COMUNICAÇÃO: coloque sua visão, missão e valores em um quadro e pendure em lugar de destaque para que todos tomem conhecimento, onde queremos chegar, todos devem saber; (uma imagem que lembre o conceito, ex. quadro/visual)
TECNOLOGIA: procure atualizar seu parque tecnológico, equipamentos, sistemas e outros para que possam gerar informações de qualidade, rápidas, eficazes e eficientes; (uma imagem que lembre o conceito, ex. computador/internet)
MARKETING: deixe sempre seu cliente/fiel informado! Qualquer melhoria que se faça por pequena que seja é importante comunicar, em jornais, informativos, revistas ou outros, mas qualquer benefício e/ou melhoria é muito bem visto pela comunidade em geral; (uma imagem que lembre o conceito, ex. alguma revista, panfleto, aviso…)
GERENCIAMENTO DA ROTINA: tenha o máximo de controle possível, porém tente desburocratizar o máximo possível, pois algo que vale mais que dinheiro atualmente é o tempo, tanto de seu pessoal quanto daqueles que o procuram. (uma imagem que lembre o conceito, ex. uma ampulheta)
Independente de ser igreja ou ser empresa, estas são dicas cruciais para iniciar uma administração de sucesso, tanto as empresas tem a ganhar com a visão humana e espiritualpertinente a Igreja, bem como a Igreja tem a ganhar com a visão estratégica e profissional pertinente as empresas.
Administrar acima de tudo é um ato de responsabilidade e como tal precisa ser feito à luz da sabedoria divina, para que as motivações sejam corretas, justas e verdadeiras.
Henrique Holanda é Consultor em Administração e Planejamento Estratégico. Possui MBA em Planejamento estratégico pelo IBMEC-SP, Administrador e gestor em Tecnologia da Informação, formado em Teologia Sistemática, atua como palestrante em empresas e igrejas, desenvolvendo os temas liderança, motivação, administração e organizações organizadas. Desde 2008 é Coordenador Geral do Projeto Edificar – Empresas com Visão, da Paróquia Espírito Santo de São José dos Campos/SP.
Contato: jchh@bol.com.br














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