O X da questão

Conheça as barreiras que dificultam a comunicação efica

POR PE. GLADSTONE ELIAS DE SOUZA

 Basta ler os documentos oficiais e os planos pastorais para constatar que não faltam boas ideias para melhorar a comunicação católica. Nem por isso temos uma comunicação de qualidade. Afinal, o que explica a distância entre as idéias e os resultados eficazes?

 No campo da teologia, os sete vícios chamados capitais, por serem considerados a origem de todos os outros, são: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Aqui, refiro-me a pecado como uma falta cometida que, por ser capital, gera outras transgressões.

 Como isso se aplica à comunicação católica? Foi realizada uma pesquisa qualitativa com evangelizadores. Por meio de entrevistas em profundidade foram ouvidas 51 pessoas, sendo 15 sacerdotes; 4 seminaristas; 7 freiras; 25 leigos. Esse grupo escolhido é todo da arquidiocese de Belo Horizonte/MG, mas os dados obtidos valem para todas as dioceses brasileiras que buscam aperfeiçoar sua comunicação.

 Para efeito de apresentação, podemos agrupar em sete itens as respostas mais comuns dos entrevistados que afirmaram conhecer os documentos da Igreja sobre comunicação e se disseram insatisfeitos com o desempenho católico. A questão-chave da pesquisa era: por que a Igreja Católica, quanto à comunicação, tem dificuldade de passar da teoria à prática? Eis a síntese das respostas:

 Os 7 pecados na comunicação paroquial

 1. Conflitos eclesiológicos: para saber qual comunicação precisamos, devemos definir que Igreja somos ou queremos ser. Assim, o projeto ou planejamento pastoral é fundamental para nele embasar uma política de comunicação livre de divergências eclesiológicas.

 2. Dificuldade de articulação: sobretudo entre paróquias e dioceses. Atualmente, cada diocese (ou paróquia), faz como acha melhor e o resultado são ações de baixa visibilidade. A falta de centralização nas ações causa a sensação de amadorismo. Isso pode ser modificado com a criação do Vicariato de comunicação ou um departamento específico na diocese.

 3. Preconceitos: Evangelizadores – leigos e ordenados se afastam dos meios de comunicação por entendê-los como alienantes. Está na hora de superar preconceitos. Trata-se de conhecer para entender.

 4. Falta pessoas capacitado: É urgente identificar e estimular os interessados com cursos específicos.

5. Falta investimento financeiro: em sua diocese, comunicação é gasto ou investimento? Nos últimos anos cresceram os investimentos diocesanos na comunicação, mas a necessidade financeira é grande.

6. Sem medo do debate: Falta diálogo sobre o assunto nas assembléias diocesanas e paroquiais. É hora de falar no assunto. Sobretudo formar fóruns de discussão com os interessados.

7. Questão de prioridade: em muitos casos a prioridade da Igreja é resolver problemas internos. Falta diálogo com quem está fora da Igreja. A Pastoral da Comunicação não é uma pastoral a mais e sim, um instrumento de apoio às pastorais que pode ajudar a melhorar a imagem pública da Igreja, sendo um canal de conversação com o mundo, sobretudo com os grandes meios.

 A Igreja tem dificuldade na comunicação, mas precisa resolver antes seus problemas de gestão.  Felizmente há muitas pessoas contribuindo nesse processo. Exemplo: as diversas dioceses e os regionais da CNBB que colocam como prioridade a organização da Pascom (Pastoral da Comunicação), e que, conjuntamente, trabalham para garantir uma boa gestão eclesial, inclusive incentivando padres e leigos a participarem de cursos específicos na área administrativa.

 Gladstone Elias de Souza é Sacerdote da Arquidiocese de Belo Horizonte/MG e Especialista em Comunicação e Gestão Empresarial.

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