Em memória de mim

Liturgia no ambeinte celebrativo reaviva a fé

POR MARGARIDA HULSHOF

 Na última Ceia celebrada com seus discípulos, Jesus delegou-lhes o compromisso de perpetuar na missão evangelizadora, o milagre ali realizado: o mistério do pão e do vinho no seu próprio corpo e sangue, que logo seriam oferecidos em sacrifício “para a vida do mundo”, selando a Nova Aliança. Essa memória, além de manter presente e atual o sacrifício redentor, também atualiza a Encarnação de Cristo a cada Eucaristia: ao tornar-se parte do corpo de cada comungante, Jesus faz da Igreja um só corpo – o seu Corpo Místico.

 Era, sobretudo, a consciência dessa comum-união em Cristo que animava as primeiras comunidades em suas reuniões. A presença concreta do Cristo vivo tornava desnecessário um grande número de gestos rituais, já que a religião da Lei fora substituída pela religião do Amor.

 Depois, o distanciamento no tempo foi provocando um distanciamento afetivo entre Deus e os fiéis – ou, ao menos, a passagem de uma espontânea intimidade familiar para uma reverente e temerosa distância. Por outro lado, a expansão geográfica entre os povos de cultura greco-latina tornou necessária uma formulação “racional” da fé e o desenvolvimento da liturgia, como recurso mistagógico. A experiência sensível foi sendo substituída pela experiência simbólica.

 Esse processo acabou por gerar, em alguns contextos, certo “engessamento” ou rigidez formalista, uma absolutização da forma exterior dos ritos, assim como, no tempo de Jesus, as autoridades do templo absolutizavam a letra da Lei em detrimento do seu espírito, esquecendo que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” (Cf. Mc 2,27). Um apego exagerado às normas podia esconder, muitas vezes, a frieza ou a mesquinhez de corações incapazes de verdadeira piedade e caridade.

 Buscando resgatar a primitiva intimidade e espontaneidade do culto, veio então a “abertura de janelas” do Concílio Vaticano II. A Sacrosanctum Concilium salientava a importância da formação litúrgica e da participação ativa e consciente do povo nos atos litúrgicos, especialmente a Eucaristia. O Concílio definiu as bases para a reforma a ser empreendida, cabendo às Igrejas particulares discernir os caminhos indicados pelo Espírito Santo para atingir, na prática, os objetivos traçados pelo Concílio.

O que se viu, porém, foi que a pequena brecha aberta na rigidez do edifício litúrgico serviu de pretexto para uma anarquia geral. A concessão de uma maior liberdade para adaptações locais às diversas culturas (Cf. Sacrosanctum Concilium, 37) acabou sendo vista como “sinal verde” para o livre exercício da criatividade a partir da visão subjetiva de cada um, sem levar em conta as condições impostas pelo Concílio: que todas as adaptações fossem coordenadas pelo bispo local e submetidas à apreciação e aprovação da Santa Sé, antes de serem colocadas em prática (Cf. Sacrosanctum Concilium, 40).

É preciso lembrar que a liturgia não é criação nem propriedade de ninguém, nem mesmo do celebrante, mas é serviço, em obediência ao ensinamento de Cristo. “O mistério confiado às nossas mãos é demasiado grande para que alguém possa permitir-se tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu caráter sagrado nem a sua dimensão universal” (Cf. Ecclesia de Eucharistia, 52).

 Assim, como um bom cantor ou instrumentista enriquece a música com sua interpretação pessoal sem mudar a partitura, e um bom jogador de futebol abrilhanta a partida com seu talento individual sem deixar de respeitar as regras do jogo, assim também nossa expressão de fé será tanto mais iluminadora e fecunda quanto mais profundamente estiver enraizada na videira da Igreja una e católica, por onde Cristo quis fazer passar a seiva do Espírito Santo.

 7 Dicas Práticas para Celebração da Palavra e Missas

  1. Cumpra as orientações da Igreja para os tempos litúrgicos e rito da missa.
  2. Tenha definido quem serão os leitores e animador do dia.
  3. Não escolha pessoas em cima da hora para fazer as funções litúrgicas.
  4. Combine antes se vão acontecer encenações, entradas de bíblia e outros momentos.
  5. Converse com quem vai presidir a celebração ou missa antes de começar. Não perca essa chance.
  6. Não critique as pessoas que estão vindo em missas especiais ou de sétimo dia.
  7. Participe realmente de forma ativa e consciente

Fonte: www.palestrascatólicas.com.br

Margarida Hulshof é escritora e tradutora, autora de diversos livros, dentre eles: “Sei em Quem Acreditei“, pela Editora O Lutador. Atualmente escreve para seção RESPONDENDO AOS LEITORES do Jornal O Lutador, de BH-MG.

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