Consultoria de conformidade ao Censo Católico

As paróquias e instituições religiosas estão recebendo a 12ª Edição do Anuário Católico. A obra traz todas as informações pertinentes à Igreja no Brasil, além de uma lista de membros da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) atualizado. Para todo esse trabalho de apontamento e também o Censo Anual da Igreja, a Promocat, empresa parceira do CERIS para esta obra, contou com o suporte de D. Hugo da Silva Cavalcante, OSB (*), que com sua experiência, contribuiu para que este compromisso se realizasse. O último Censo havia sido realizado em 2004.

Os trabalhos foram iniciados a partir da pesquisa, iniciada em setembro de 2008. O lançamento da 12ª Edição do Anuário Católico ocorreu no dia 29 de abril, em Itaici – Indaiatuba, interior de São Paulo, durante a 47ª Assembleia Geral da CNBB.

 

Quais são os objetivos e benefícios do Censo da Igreja Católica?

O objetivo fontal é aquele de se dar a conhecer o número das várias instituições eclesiais e o número de pessoas que as compõem, para que a partir desses dados, possamos tomar conhecimento da grande, verdadeira e variada expressão do corpo de Cristo, que é a Igreja, em suas diversas funções, todas direcionadas para o bem, não somente dos cristãos católicos, mas também de todos os homens e mulheres de boa vontade. O benefício fundamental é aquele de fazer entrar em comunhão para melhor servir, originando com isso um leque inumerável de benefícios, todos eles à luz do anúncio do Reino de Deus, missão da Igreja, dos discípulos missionários.

 

Quais são os pontos ou áreas que compõem o censo?

Há uma pesquisa sobre as Circunscrições Eclesiásticas e suas estruturas: cúria, tribunais eclesiásticos, paróquias, santuários, organismos de serviço pastoral em todos os seus âmbitos, centros de formação clerical e laical, etc. No campo religioso aponta-se a presença dos Institutos de Vida Consagrada, Religiosos e Seculares, das Sociedades de Vidas Apostólicas e das Novas Comunidades. Tudo isso apresentado com o nominativo dos que formam esse grande número de fiéis que estão a serviço de todo o Povo de Deus.

 

Qual é a função da pesquisa religiosa e o papel do CERIS?

A função da pesquisa religiosa é fazer se tomar consciência ainda mais profunda da missão que a Igreja possui que é, sobretudo, aquela de anunciar, a Boa Nova do Evangelho em todos os lugares. Sabendo o que temos e o que devemos fazer poderemos prestar um serviço mais ágil e direto, não somente aos cristãos, mas a todos os homens e mulheres de boa vontade. Assim, dar a conhecer para melhor servir, criando estruturas, sobretudo, de comunhão, somente se ama aquilo que se conhece, somente se serve bem, aquilo que se ama.

O CERIS tem um papel integrador, pois as suas estatísticas e investigações no campo social fazem com que a Igreja no Brasil possa dar um encaminhamento mais seguro na realização do seu projeto de evangelização, recentemente iluminado com o chamado de todos à Grande Missão Continental.

 

Como ocorre a presença da CNBB, CRB e CERIS na captação dos dados?

Foi fundamental, pois sem o apoio concreto das duas primeiras instituições não poderia subsistir a terceira, que está a constante serviço dessas, com o intuito de incrementar cada vez mais, com agilidade e exatidão, as informações a serem prestadas, isso no campo do Censo, pois em si, o CERIS, não se reduz a estatísticas, mas também ao campo das Investigações Sociais.

 

A Promocat Marketing Integrado é uma empresa privada. Isso implicou de que forma na amplitude da pesquisa?

Na busca de obter os dados, com extrema paciência, recolhidos pela insistência dos pesquisadores, que não mediram esforços para receber as respostas que haviam sido solicitadas, produzindo um documento, na medida do possível, mais atualizado, obviamente não impassível de lapsos, mas com o constante desejo de melhorar.

 

Quais são as especificidades do segmento que dificultariam a abordagem de uma empresa privada diante da complexidade da estrutura da Igreja?

A Igreja possui uma estrutura organizada hierarquicamente e sua nomenclatura não é assim tão conhecida. Isso dificultou, no princípio, mas essas dificuldades foram sendo superadas, mormente o fato de se ter que readquirir a credibilidade que havia sido perdida por parte do modo da coleta dos dados e a sua publicação, que nem sempre cumpria os compromissos assumidos.

 

No acompanhamento de todas as etapas do Censo Anual da Igreja, qual foi o momento em que encontrou maior dificuldade?

Aqui, refiro-me à atualização dos dados. No campo da comunicação, apesar dos recentes apelos do Santo Padre, algumas instituições eclesiais não parecem estar muito atentas aos MCS e as respostas não eram dadas, apesar de termos de insistir, para melhor servir, unicamente. Em suma, as respostas não chegavam a tempo ou a contento, ou simplesmente não chegaram, lamentavelmente.

 

Compare este anuário com os anteriores.

Há uma expressão latina que diz que “omnis comparario claudicat” (toda comparação é manca!). Somente digo que essa verdadeira obra foi fruto de uma equipe que buscou a comunhão e que teve a seu dispor meios modernos de comunicação, sendo necessário, pelo tempo exíguo, que cresçamos ainda na metodologia aplicativa do censo.

 

 Qual é a utilidade do Anuário Católico e a quem é destinado?

Dar a conhecer todos os organismos eclesiais. A todos aqueles que querem um modo de comunicação mais efetivo e eficaz com a Igreja que está no Brasil, mas também com os organismos da Cúria Romana, devendo salientar que pela primeira vez, foi apresentado o Colégio Cardinalício com todos os seus membros, distribuídos nas suas três ordens.

 

 Há quanto tempo o senhor auxilia os trabalhos do CERIS como consultor canônico?

Há seis meses… peguei o trabalho em seu decurso, mas em uma paragem que me permitiu adentrar, sobretudo na estatística relativa à CNBB com quem trabalho há pelo menos 10 anos, na segunda parte do Diretório Litúrgico.

 

Qual é o papel de um canonista durante o censo?

Onde está o homem, ai está a sociedade; onde está a sociedade aí está o direito. A Igreja é uma sociedade teândrica e tem o seu direito, às vezes ignorado. Nela, de fato, somos servos da lei para pode ser livres. Não pode haver qualquer organização séria sem que tenha os seus princípios normativos. Aceitei esse convite como um desafio de fazer saber que o princípio fundamental do direito é o serviço ao Povo de Deus em todos os seus âmbitos, mesmo naquele da estatística e das investigações sociais. Por isso, o canonista aquele que serve  para que tudo possa estar de acordo com as normativas da  Igreja, que tem como ponto basilar o serviço que proporcione o bem comum e a salvação das almas.

(*) D. Hugo da Silva Cavalcante, OSB é Mestre em Direito Canônico pelo Angelicum em Roma, Doutorando pela Lateranense em Roma. Presidente da Sociedade Brasileira de Canonistas e Sócio Correspondente da Associação Portuguesa de Canonistas e consultor canônico da Revista Paróquias & Casas Religiosas.

Site: www.infosbc.org.br      Contato: presidente@infosbc.org.br

Artigos relacionados: