Para uma celebração criativa

Busque métodos eficazes para integrar sua equipe de música na liturgia

POR PE. LUIZ EDUARDO P. BARONTO

Se existe uma coisa que no Brasil não podemos nos queixar é da quantidade de irmãos e irmãs, que com dedicação, colocam-se a serviço das comunidades desempenhando seu ministério musical nas celebrações litúrgicas. Por graça de Deus esse número vem aumentando a cada dia. Porém, cresce na mesma proporção o desafio de oferecer a eles uma sólida formação para que pouco a pouco entendam a importância vital de seu ministério.

 Atualmente, um dos maiores desafios que envolvem o ministério da música litúrgica é aquele de garantir sua íntima relação com a equipe de celebração. Não poucas vezes encontramos uma situação que, do ponto de vista do entendimento da natureza da liturgia e da música litúrgica é, no mínimo, estranha: a não participação da equipe de canto e instrumentistas na equipe de celebração.

Então, por que não se pode admitir que a equipe de música e canto esteja separada da equipe de liturgia? Vamos apresentar pelo menos três razões. Outras podem ser acrescentadas.

1ª. A celebração litúrgica

Toda celebração litúrgica, mesmo que dividida em partes e ritos, constitui uma única ação e cada momento da celebração está em íntima ligação com os demais.  A música quando tem seu lugar na celebração não é um rito isolado, mas toma parte no conjunto dos ritos da celebração.  A “Sacrosanctum Concilium”, que é a Constituição sobre a Liturgia do Vaticano II, deixou clara a natureza da música litúrgica. Ela é parte integrante da Liturgia (SC 112) e como tal, ela deve ser escolhida à luz do Mistério que se está celebrando. Portanto, não deve ser escolhida aleatoriamente, sem critérios objetivos. Ora, o melhor lugar para se definir qual música vamos usar na celebração, é a reflexão que a própria equipe de liturgia faz quando se reúne para preparar a celebração. Como pode acontecer que a equipe de música decida sozinha as músicas que vão ser executadas durante a celebração sem uma prévia conversa com a equipe que a preparou?

 2ª. A equipe de música

Desde o Concílio Vaticano II a Igreja entende-se como Povo de Deus, em primeiro lugar. Essa Igreja, quando reunida em assembléia litúrgica, exerce seu sacerdócio elevando a Deus um culto de ação de graças. Para tanto, toda a assembléia é convocada a participar da celebração. Essa participação – segundo o Concílio – deve ser vivida de forma ativa, interior, frutuosa, consciente e plena. E todos os ministérios, cada um ao seu modo, deverão estar atentos para favorecer essa participação. E a equipe de música colabora dentro da equipe de celebração com a mesma intenção. Ela não está na celebração para cantar para o povo, mas para cantar juntamente com ele

3ª. A experiência comunitária 

 A experiência mostra que por trás de uma celebração significativa e envolvente sempre está uma equipe que gastou tempo e energia em sua preparação, cuidando de cada detalhe. De alguma forma, é a equipe de celebração que tem nas mãos, juntamente com aquele que preside a dinâmica de cada parte. Isso supõe que todos os que vão exercer algum tipo de ministério na celebração estejam em perfeita sintonia a fim de colaborar na direção do mesmo objetivo que é o de favorecer a participação da assembléia. Como realizar tamanha tarefa se o grupo de música que é tão importante na celebração, não fez parte do esforço da equipe em preparar a celebração?

Entendemos que há uma necessidade urgente de se corrigir uma prática que, infelizmente, vem se tornando comum em muitas comunidades: uma equipe de música que não participa – nem mesmo por meio de representantes – da reunião de preparação da celebração impondo de forma arbitrária e partindo de critérios duvidosos o repertório a ser utilizado nas celebrações.  Há tempo ainda! Mãos à obra!

 Pe. Luiz Eduardo P. Baronto é membro da Equipe de Reflexão e Música da CNBB e atualmente trabalha na Editora Salesiana.

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