Ano Catequético

CATEQUESE RENOVADA

O caminho para o discipulado é para todos

 

POR DOM SÉRGIO APARECIDO COLOMBO

A 44ª Assembleia Geral da CNBB em 2006 aprovou por unanimidade a realização de um ANO CATEQUÉTICO em 2009. Retomando a proposta do primeiro ano catequético, realizado há 50 anos, a Igreja quer fazer avançar o seu dinamismo catequético, na perspectiva do atual Diretório Nacional de Catequese e da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho em Aparecida. Não se trata de um acontecimento isolado, mas que se compreende no contexto da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, na relação com as conclusões da V Conferência, com as Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2008 – 2011, com o Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, com o 12º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base – CEB’s e com a Campanha da Fraternidade sobre a Segurança Pública.

Uma proposta

O Ano Catequético é compromisso de toda a Igreja: Dioceses, Paróquias, Comunidades, Pastorais, Movimentos e Grupos. Os Bispos, Presbíteros – Párocos, primeiros responsáveis pela catequese, juntamente com os Agentes de Pastorais Leigos, de modo especial os CATEQUISTAS, são chamados a dinamizar as atividades propostas para este acontecimento, ao longo do ano e que terá como ponto alto, a 3ª Semana Brasileira de Catequese, em Itaici – SP. Podemos dizer que, “no fundo, a missão de catequizar não é tarefa de um catequista, mas de toda a comunidade, à qual o catequizando pertence. É toda a comunidade quem deve preocupar-se com seu crescimento na fé e com os frutos da conversão. Pois, por um lado, quem evangeliza, a rigor, é, antes de tudo, a Igreja como um todo, enquanto sinal e instrumento do Reino.

Os diversos ministérios são entendidos a partir dela e não o contrário. Por outro, lado o catequizando é Igreja também, portanto, não um simples objeto da catequese. Ele, a seu modo, também evangeliza, até o catequista. Como nos advertiu o Papa Paulo VI na Evangelii Nuntiandi – a evangelização no mundo contemporâneo. A Igreja só evangeliza quando se deixa evangelizar (n.15). Em outras palavras: como o aluno só aprende com o professor que aprende, assim também, na catequese, o catequizando só é catequizado com catequista que também se catequiza ao catequizar” (A pastoral dá o que pensar – Agenor Brighenti, Siquem/Paulinas, p. 94).

 Um exemplo a seguir

O Ano Catequético toma como referência, o episódio dos discípulos de Emaús, no Evangelho segundo Lucas, capítulo 24. Aqueles que haviam seguido Jesus, o mestre, estavam desnorteados e tristes, afinal, ele foi morto e os seus sonhos por um novo tempo com uma sociedade, justa, solidária e sem exclusão, havia  ruído. Voltando para casa, após três dias, no caminho, já longe de Jerusalém, tudo recomeçou, pois o que viram e ouviram de Jesus, como um fogo, ainda ardia em seus corações. Jesus, com um peregrino, é um dos lugares da presença do ressuscitado. Ele alcançou-os, tornou-se próximo e interessou-se pelo que conversavam. Vendo a tristeza em seus rostos, por tudo o que havia acontecido, Jesus retomou as Escrituras e, desde Moisés, passando pelos Profetas, explicava tudo o que se referia a ele. Esse diálogo com eles, levou-os a compreender o que, de algum modo já tinham ouvido do próprio Jesus, e alegraram-se. Assim, ontem como hoje, ele alcança as pessoas nas circunstâncias concretas da vida, solidariza-se com elas e participa de suas lutas e esperanças, anunciando-lhes a Palavra e revelando o sentido para suas vidas. Os que O acolhem como os discípulos de Emaús, podem sentar-se à mesa com Ele, partilhar o pão, fazer a memória (Eucaristia) de sua vida e refontizar o seu projeto, que leva a retomar o caminho com alegria, para tornarem-se discípulos missionários, continuando-O na história.

 Mensagem

Jesus venceu a morte. A cruz não pode de eliminá-lo. Muitos não conseguem superar as tristezas e as cruzes inerentes à caminhada e buscam soluções mágicas, imediatistas, um Deus que está ao seu dispor, pronto para curar todas as enfermidades. É preciso cuidar para que essa mentalidade não encontre eco em nossas vidas e em nossas comunidades. É no caminho, como os discípulos de Emaús, que reconheceremos o Ressuscitado e reencontraremos a esperança.

Vamos preparar nossas comunidades e dar novo impulso à catequese em todas as suas dimensões, sobretudo a afetiva e a eclesial. Que ela seja lugar privilegiado do encontro e da experiência do Ressuscitado. A Mãe de Jesus, Mãe da Igreja, catequista exemplar, nos ajude no caminho.

Dom Sérgio Aparecido Colombo é Bispo de Paranavaí/PR.

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