Arvore fecunda

Conheça mais de perto o primeiro Mosteiro feminino da Congregação Beneditina do Brasil

O Mosteiro de Monjas Beneditinas no Brasil partiu da ideia do então Prior do Mosteiro de São Bento de São Paulo, Dom Miguel Kruse,OSB que já acompanhava há alguns anos a jovem paulistana Ana Abiah da Silva Prado. Percebendo nela a vocação monástica, concebeu a ideia de trazer para o Brasil o ramo feminino da Ordem de São Bento.

O PROCESSO DE FORMAÇÃO DA COMUNIDADE

Uma vez escolhida a Abadia para formar as jovens brasileiras a fim de retornarem ao Brasil como fundação, a Abadessa da Abadia de Nossa Senhora da Consolação em Stanbrook, na Inglaterra, Madre Cecília Heywood preparou essas moças de duas maneiras:

1º. Como formandas de um Mosteiro, isto é, recebendo aulas específicas do currículo de um noviciado.

2º. Como Fundadoras, a fim de que estivessem bem cientes de que estavam recebendo uma Tradição secular em termos de valores a serem passados na nova fundação brasileira.

A Abadia de Santa Maria sendo o primeiro e único Mosteiro feminino da Congregação Beneditina do Brasil, cresceu por meio da ajuda dos Abades dos diferentes Mosteiros da Congregação. Isto é, eles procuravam enviar vocações de todo o Brasil a fim de que o então Priorado de Santa Maria pudesse se desenvolver.

A fundação foi feita em 1911. Tanto cresceu, que em 1918 já se tornara Abadia! E uma vez bem constituída, pode fazer sua primeira fundação em 1938 na Argentina, a Abadia de Santa Escolástica. A esta foi seguida as fundações da Abadia de Nossa Senhora das Graças em Belo Horizonte, depois a fundação da Abadia da Santa Cruz em Juiz de Fora e nos anos do pós-Concílio, a última fundação da Abadia de Nossa Senhora da Paz em Itapecerica da Serra-SP.

A boa árvore dá bons frutos!

Assim foi a fecunda fundação da Abadia de Santa Maria que sem a boa ideia de Dom Miguel Kruse e sem a ajuda da Abadia de Nossa Senhora da Consolação em Stanbrook, este sonho inicial de se ter um Ramo Feminino da Ordem de São Bento no Brasil não teria sido possível realizar!

O MOSTEIRO É UMA “ESCOLA DO SERVIÇO DO SENHOR”
Com a ajuda da comunidade, escolhi por lema : “cum ferventissimo amore“.  Esse lema foi tirado do capítulo 72 da Regra de São Bento e  se inspira também no capítulo 13 do evangelho de São João. Entendo que o cargo abacial é um serviço que, como todos os outros serviços realizados na Casa de Deus, por amor a Deus e aos irmãos,  deve ser feito com  amor ferventíssimo. Como diz Santo Ambrósio, “pastorear é um serviço de amor”. É esse amor ferventíssimo que levou Jesus a doar sua vida por nós na cruz, e o lava-pés do capítulo 13 de São João antecipa este gesto de dom total. É nesse amor ferventíssimo que desejo servir minha comunidade. Também esse lema é uma continuação do lema de nossa querida abadessa falecida, Madre Maria Teresa: “servir com alegria”. Acrescento: e “com ferventíssimo amor”.  Só o amor dá sentido a tudo o que fazemos. O menor gesto se torna pleno de significado, quando feito por amor.

O QUE É ESSENCIAL NA GESTÃO
Se analisarmos a própria palavra “administração”, sua origem latina tem dois sentidos: “auxílio” e “direção“.

AUXÍLIO
A palavra auxílio nos indica que o trabalho não é para ser realizado sozinho. Por isso  precisamos ter, antes de tudo,  humildade. Uma das qualidades exigidas do celeireiro[1] como administrador do mosteiro, é a humildade. Só quem é humilde sabe aceitar o auxílio de outro, sabe abrir-se para o trabalho em equipe, aceita deixar-se ajudar. No capítulo do celeireiro São Bento diz que “sejam-lhe dados auxiliares com a ajuda dos quais cumpra, com o espírito em paz, o ofício que lhe foi confiado” (RB 31, 17).  Também no capítulo dos semanários da cozinha São Bento recomenda que se tenham auxiliares para que o serviço não seja executado com tristeza (RB 35,3).

DIREÇÃO
Administrar é indicar uma boa direção. Ter uma boa direção implica em ter objetivos bem definidos. Um dos objetivos propostos por São Bento é “para que ninguém se perturbe nem se entristeça na casa de Deus”. Onde há pessoas felizes, sem perturbações nem tristezas excessivas, há bom resultado. O primeiro resultado é a paz. Onde há paz há crescimento, há progresso. Acrescento ainda que indicar a boa direção é antes de tudo, “mostrar mais pelas próprias ações do que pelas palavras”, como recomenda São Bento ao abade.  Diz o ditado popular que “a palavra encabula, o exemplo arrasta”.

Desse modo, a vida monástica nos coloca em continuidade do mistério da Encarnação do Filho de Deus e na normalidade da vida comunitária, uma monja beneditina conduz a sua vida monástica, integrada em elementos básicos como expressão de união fraterna: Oração (Oficio Divino, Lectio Divina – Meditação na Palavra de Deus…), trabalho, estudos, refeições, recreios.

O processo de acolhimento às candidatas à vida monástica

Abrange 3 períodos:

1º. O Postulado – 1 ano

2º. O Noviciado – 2 anos

3º. A Profissão Temporária – 3 anos

Sendo aberta a possibilidade às vocacionadas um contato prévio, por e-mail, telefonema, retiros em nossa hospedaria, e ainda mais próximo no “Vinde e vede” (Jo1, 39) dentro da clausura pelo espaço de três meses de experiência , usando vestes civis, vivendo o nosso cotidiano e dentro do qual após esta fase de experiência a vocação  vê-se na liberdade de optar ou não.

Me. Escolástica Ottoni de Matos, OSB é Abadessa do Mosteiro das Monjas Beneditinas no Brasil.

Contato: abadessasantamaria@gmail.com

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